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Ema Bovary, a estupenda personagem de Flaubert, conforme uma pintura da época.
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Realismo é um termo bastante amplo que serve para designar as mais variadas tendências artísticas. No sentido de "arte que pretende a reprodução exata e sincera do ambiente social e da época em que vivemos", ele já aparece numa exposição de pinturas de Coubert, em 1856. Porém, como afirmação literária de uma doutrina estética, surge em 1857, também na França, com Madame Bovary, de Gustave Flaubert.
Colocando a romântica Ema Bovary em contato com a realidade, Flaubert reflete sobre a impossibilidade de concretização das fantasias sentimentais. Ela sonha com uma vida diferente e excitante, ao lado de alguém que seja a encarnação de um príncipe encantado. A decepção com o marido e a busca do mundo de beleza, prazer e refinamento que os textos românticos lhe haviam mostrado, carregam-na em direção ao adultério. Trai duas vezes e em ambas as traições experimenta a "grande paixão" e em seguida o abandono do amante. Desiludida, compreende a impotência e a alienação romântica de seus desejos, mas não tem forças para suportar a grosseria e o utilitarismo da existência pequeno-burguesa, preferindo o arsênico à lenta asfixia de um cotidiano vazio.
O romance causa enorme impacto na Europa e é oficialmente censurado. Flaubert sofre acusação pública de incentivo à imoralidade. Apesar de absolvido, seu nome fica associado ao escândalo e à denúncia da hipocrisia da moral burguesa. Por outro lado, dezenas de jovens escritores, no mundo inteiro, tomam o autor de Madame Bovary como modelo insuperável de construção romanesca e se inspiram nessa obra para fundar ou desenvolver os princípios realistas em seus países.
No entanto, poderíamos dizer que o Realismo já se estruturara, em termos práticos, alguns anos antes, com Balzac e Stendhal. Em seus melhores romances (respectivamente As ilusões perdidas e O vermelho e o negro), futuros postulados do movimento são facilmente identificáveis.
Balzac olha os indivíduos sempre como representantes de certos grupos sociais, e esses indivíduos só possuem significado dentro das narrativas se expressarem as vivências e as idéias de seus grupos. Já Stendhal desenvolve o "método analítico de observação psicológica", e os seus personagens são construídos através de pormenores mínimos, de pequenas apreciações, de matizes por vezes contraditórios, obrigando o leitor a completá-los e a reinterpretá-los. Portanto, a representatividade histórica e a análise psicológica dos personagens, típicas do Realismo, sedimentam-se em Balzac e Stendhal.
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