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A segunda metade do século XIX, na Europa, define-se por uma série de transformações econômicas, científicas e ideológicas que possibilitam o surgimento de uma estética anti-romântica.
Uma nova revolução industrial, caracterizada pelo avanço tecnológico e progresso científico, modifica não apenas os processos de produção, mas a própria estrutura econômica. Os negócios familiares em pequena escala são substituídos por grandes empresas, muitas vezes agrupadas em cartéis, e a população se concentra em vastos aglomerados urbanos, impelida pela industrialização. As nações tornam-se representantes de seus grupos econômicos privados, ampliam o mercado internacional e terminam por se fazer imperialistas, partindo para a conquista direta ou indireta de considerável número de países africanos e asiáticos. É o grande momento da Europa: a burguesia urbana, enriquecida pelo espólio colonial, vive o luxo, goza o poder sobre o mundo.
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"O capital atropela não apenas os limites máximos morais, mas também os puramente físicos na jornada de trabalho. Usurpa o tempo para o crescimento, o desenvolvimento e a manutenção sadia do corpo. Rouba o tempo necessário para o consumo de ar puro e luz solar."(Marx - O capital,1867)
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Um mundo que agora se explica a partir de si mesmo: Comte cria o Positivismo e a sociedade passa a ser entendida em sua existência concreta; Darwin elabora a teoria sobre a evolução das espécies; Lamarck estabelece bases reais para a Biologia; a Psicologia é associada à Fisiologia; a Medicina se torna experimental; Pasteur penetra nos segredos de microorganismos; Taine organiza padrões objetivos para a crítica literária. Eis um mundo claro, sem abismos, que já não encerra mistérios, como afirmam os cientistas da época.
As contradições, no entanto, continuam explodindo: as cidades crescem sem planejamento e não oferecem as mínimas condições de conforto e higiene; acentua-se a divisão do trabalho entre a burguesia e o proletariado; o Socialismo de Marx e o Anarquismo de Bakunin e de outros líderes ganham adeptos; irrompem revoltas de trabalhadores, como a Comuna de Paris (1871), que durante setenta dias promoverá um radical governo proletário, até a sua violenta dissolução por forças conservadoras. Nesse universo, ao mesmo tempo da euforia burguesa e do capitalismo desumano, os valores românticos entram em crise.
Já não é possível a fantasia, nem o mito da natureza, nem o fechar-se na própria interioridade. Os acontecimentos exigem a participação do artista. Agora ele é um participante do mundo, ou ao menos, um observador do mundo. É verdade que o sentimento desagradável da realidade persistirá em sua alma, herança do Romantismo. Mas em vez de transformar esse sentimento em desabafo ou grito, como o romântico, o artista procurará examiná-lo à luz de teorias sociológicas, psicológicas ou biológicas.
REALISMO/NATURALISMO
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