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Análise de Quincas Borba - parte I
Rubião, mestre-escola da cidade mineira de Barbacena, trava amizade com o moribundo filósofo Quincas Borba, (vale lembrar que esta personagem já aparecera em Memórias póstumas de Brás Cubas). Após a morte do filósofo, Rubião herda-lhe grande fortuna e um cachorro - também chamado Quincas Borba - cuja posse e manutenção era cláusula do testamento. Narrada em terceira pessoa e divida em capítulos curtos - tão ao gosto de Machado -, a trama está focada na transformação pessoal e social por que passa Rubião ao se mudar para a Corte, deixando para trás uma existência simples de interiorano e ingressando na roda viva da capital do Império: as amizades compradas, os comensais interesseiros, as aventuras amorosas. Já na viagem de trem para o Rio de Janeiro a existência de Rubião começa a mudar, pois conhece e se aproxima do casal Cristiano Palha e Sofia, gente da melhor sociedade do Rio de Janeiro. Sofia é uma mulher belíssima por quem o professor irá se apaixonar e viver um romance fantasioso, cheio de frustradas declarações de amor. Cristiano Palha percebe a ingenuidade do interiorano e torna-se o primeiro de uma série de aproveitadores de sua fortuna. Sofia exerce papel decisivo nesta conspiração interesseira, mantendo um procedimento dúbio em relação ao mestre-escola, ora o atraindo, ora o repelindo. Mais tarde, outros parasitas sociais (como o Dr. Camacho, diretor de um jornal de oposição), tentarão usufruir do dinheiro de Rubião, enquanto lhe filam jantares e charutos. Com o desenrolar dos capítulos, ou por ter herdado a insânia do filósofo ou por ter uma consciência demasiadamente estreita para compreender a complexidade do mundo em que agora vive, Rubião começa a ser tomado por delírios de grandeza. Somente nestes momentos é que consegue compreender a filosofia de Humanitas desenvolvida pelo finado Quincas Borba, filosofia que tinha no lema “ao vencedor, às batatas” sua grande síntese. À medida em que a loucura de Rubião se acentua, o seu patrimônio, já duramente reduzido pela ação de tantos exploradores, sofre o golpe fatal. Quase sem recursos, abandonado por todos, ele termina internado numa casa de saúde a mando do casal Palha. Isolado do mundo, Rubião pede apenas a companhia do seu fiel escudeiro, o cachorro Quincas Borba . Após meses de um tratamento mais ou menos inútil, o professor acaba fugindo com o seu cachorro. Retorna então para Barbacena, onde vagará pelas ruas sob forte temporal até ser recolhido por uma velha comadre. Os delírios recomeçam. E é no meio de um deles que, poucos dias depois, “nem súdito, nem vencido”, Rubião falece. Três dias mais tarde, consumido pela tristeza causada pela ausência do dono, será a vez de Quincas Borba morrer.
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