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  Poesia Moderna


Fernando Pessoa - parte IV

FERNANDO PESSOA ELE-MESMO

Num certo sentido, Fernando Pessoa ele-mesmo é também um heterônimo. Poeta-fingidor, nada nele é diretamente confessional ou biográfico. Como diz Jane Tutikian, este Pessoa é a “expressão dramática de uma busca de identidade”, identidade não atingida univocamente e aberta numa constelação de personalidades complexas e contraditórias:

Tudo quanto penso,
Tudo quanto sou
É um deserto imenso
Onde nem eu estou.

A tradução desta ruptura entre o eu-lírico e o eu-biográfico aparece no célebre Autopsicografia, em que a criação poética aparece como uma criação ficcional (“o fingimento”):

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

FERNANDO PESSOA de MENSAGEM

Este é o poeta que – escrevendo o livro Mensagem – tenta revisar o passado do glorioso Império luso em busca de um sentido para a antiga grandeza e a atual decadência. O poema mais conhecido da obra é Mar português:

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Existiu mesmo Fernando Pessoa?

O jogo ambivalente entre os heterônimos e o ortônimo (o próprio Pessoa), as ficções, os fingimentos,as díspares visões de mundo, os múltiplos pensamentos e os estilos diversos fazem parte deste caso genial que é produção poética de Fernando Pessoa. Contudo, muito além das causas desta fragmentação, e das explicações desta ambigüidade perpétua e das interpretações, das máscaras que escondem outras máscaras paira algo completamente real: o texto poético. Como diz Leila P. Moisés, esta é a única e a última realidade de Fernando Pessoa.



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