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 Modernismo


O MODERNISMO DE 22 A 30
(FASE DE DESTRUIÇÃO E EXPERIMENTAÇÃO)

O projeto dos modernistas de São Paulo pode ser dividido em três linhas básicas que se conjugam e confundem

DESINTEGRAÇÃO DA LINGUAGEM TRADICIONAL

Questiona-se toda a arte acadêmica, com suas fórmulas envelhecidas, a expressão gasta, a linguagem convertida em clichês. O estilo parnasiano e o bacharelismo são os alvos prediletos dos ataques modernizadores. Para efetivar tal destruição, usa-se a paródia, a piada, o sarcasmo. Os romances Serafim Ponte Grande e Memórias sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade, levam essa prática às últimas conseqüências.

ADOÇÃO DAS CONQUISTAS DAS VANGUARDAS

A liberdade de expressão, a visão amorosa e crítica do cotidiano, a linguagem coloquial e outras inovações desenvolvidas pelas vanguardas européias são assimiladas, ainda que desordenadamente pela geração de 22. A revista Klaxon, de 1922, e os primeiros textos publicados no ano da Semana mostram essa preocupação com a contemporaneidade. Não tem fundamento, portanto, a afirmativa de que os modernistas seriam antieuropeus. A identificação com as velhas matrizes culturais ainda é evidente.

BUSCA DA EXPRESSÃO NACIONAL

Em 1924, em Paris, Oswald de Andrade assiste a uma exposição de máscaras africanas. Elas parecem expressar toda a identidade dos povos negros da África. Nesse momento, Oswald se interroga: "E nós, os brasileiros? Quem seríamos? Qual o nosso retrato? Alguma arte nos representaria tão significativamente como aquelas máscaras?"

Atrás dessas perguntas, começava a delinear-se a luta por um abrasileiramento temático. O nacionalismo surge no horizonte do grupo modernista apenas em 1924. Antes, as questões fundamentais eram estéticas. A partir de agora passam a ser ideológicas: vai se discutir o nacional e o popular em nossa literatura. Sonha-se com a delimitação de uma cultura brasileira, de uma alma verde-amarela.


A saída primitivista

Não se processa, contudo, a volta ao ufanismo romântico. O novo nacionalismo irá assumir uma perspectiva crítica, um tom anárquico e desabusado, como se o país causasse no artista uma mistura de orgulho e deboche. O caminho é a celebração do primitivismo, isto é, de nossas origens indígenas e extra-européias. Nas civilizações aborígenes e também no folclore, nos aspectos míticos e lendários da cultura popular, quer se descobrir a essência do Brasil.

É uma espécie de retorno às fontes primeiras de uma civilização original. Para ali encontrar algo que o colonialismo português não conseguira esmagar: a ausência de repressões morais e sexuais, e a alegria de viver, sobremodo entre os índios. Esta pesquisa de uma subjacente alma nacional só poderia ser realizada, no entanto, com o instrumental artístico da modernidade. Por isso, os antigos habitantes não deveriam merecer análises antropológicas ou preservacionistas, e sim um registro ousado, inventivo e até humorístico, com a linguagem das vanguardas. Aliás, o Brasil seria esta síntese do primitivo e do inovador.

Quase todos os criadores da primeira fase vivem a dimensão primitivista. Porém, cometem o erro de considerar o Brasil como unidade e não como diversidade social. A "síntese brasileira" não existia no plano histórico e não poderia ocorrer no plano artístico. Apropriam-se assim da mitologia do povo, das tradições dos índios, etc., sem mostrar como essas realidades culturais haviam se gerado e sobrevivido. Procuravam mais uma simbologia para a nacionalização da arte do que verdades humanas e históricas oferecidas pelos valores populares ou indígenas.

Entre os próprios modernistas não houve acordo quanto ao rumo a seguir. Formaram-se vários grupos, proclamaram-se muitos movimentos, todos insistindo em sua autenticidade nacionalista. As mais significativas dessas tendências foram o Pau-Brasil e a Antropofagia, ambas criadas por Oswald de Andrade.

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