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Grande sertão: veredas - parte I

JOÃO GUIMARÃES ROSA (1908-1967)

VIDA: João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, pequena cidade do interior mineiro, próximo a uma região de fazendas de gado. Seu pai era comerciante na região. O futuro escritor fez o curso primário em sua cidade natal e o secundário em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo, onde revelou notável aptidão para o estudo de línguas. Ingressou na Faculdade de Medicina, formando-se em 1930. Foi colega de personalidades importantes, entre as quais Juscelino Kubitschek, futuro presidente da República,. Freqüentou ali os círculos literários e publicou alguns contos inexpressivos em revistas do Rio de Janeiro. Em 1930, retornou ao interior mineiro para exercer a profissão em Itaguara, município de Itaúna. Único médico da região, viajava muito a cavalo para atender aos pacientes que moravam em locais ermos. Aproveitou esta época para recolher histórias e anotar, em inúmeras cadernetas, o léxico arcaico da região. Em 1932, voltou a Belo Horizonte para atuar como médico voluntário da Força Pública durante a Revolução Constitucionalista. Posteriormente, entrou, por concurso, no quadro da Força Pública. Contudo, por sugestão de um amigo, impressionado com seu extraordinário domínio de línguas, fez concurso para o Itamarati e foi aprovado. Tornou-se diplomata e serviu em vários países, inclusive na Alemanha nazista, onde ficou preso por alguns dias, após o rompimento de relações entre o Brasil e o Terceiro Reich.

Apesar da dedicação à carreira diplomática, a paixão pela literatura continuou sendo elemento essencial na vida de Guimarães Rosa. Em 1936, venceu um concurso de poemas com a obra Magma, que se recusou a publicar. Em 1937 escreveu os contos de Sagarana, obtendo o segundo lugar em um concurso nacional de contos. Mas só publicou o livro em 1946, bastante modificado e com dois contos a menos. Neste mesmo ano tornou-se chefe-de-gabinete de João Neves da Fontoura (o “Tribuno da Revolução de 30”), mescla de diplomata, político, intelectual e caudilho, com quem manteve profunda e duradoura amizade. Em 1956, vieram à luz duas obras básicas, as novelas de Corpo de baile e o romance Grande sertão: veredas. Em pouco tempo, sua fama correu mundo: obras suas foram traduzidas de imediato para várias línguas. Foi aclamado como um dos grandes ficcionistas do século XX. O sucesso não fez com que ele esquecesse o sertão mineiro: continuamente retornava à terra natal, em longas viagens a cavalo, revendo a beleza rústica da região. Em 1962, lançou um novo volume de contos, Primeiras estórias. Em 1967, Tutaméia, com o subtítulo de Terceiras estórias. Em novembro de 1967, três dias após sua posse na Academia Brasileira de Letras, faleceu no Rio de Janeiro, vítima de enfarto. “As pessoas não morrem, ficam encantadas” – disse ele no discurso de posse na Academia, profetizando o seu próprio futuro.

GRANDE SERTÃO:VEREDAS

ENREDO:

1. A juventude

O ex-jagunço Riobaldo resolve narrar sua vida a um doutor, que não fala, limitando-se apenas a alguns gestos e risadas. Em ordem cronológica – já que a narração não é linear – a história de Riobaldo começa quando ele tem quatorze anos e vai com a mãe pagar uma promessa às margens do São Francisco. Ali se encontra com o Menino, que tem mais ou menos sua idade e o impressiona profundamente. Pouco depois, a mãe morre e Riobaldo, filho de pai desconhecido, é mandado para a fazenda de seu padrinho, Selorico Mendes, que, por sua vez, o manda estudar com Mestre Lucas.

Certo dia, Riobaldo descobre ser filho natural do padrinho. Desgostoso, resolve partir e, graças a uma indicação de Mestre Lucas, torna-se professor e depois secretário do fazendeiro Zé Bebelo, que luta ao lado das forças do governo contra os bandos de jagunços que infestam o sertão mineiro. Riobaldo testemunha várias batalhas e também a investida de Zé Bebelo contra o bando de um fazendeiro e líder jagunço, Joca Ramiro.

Insatisfeito com o chefe, Riobaldo foge, vagando sem destino até reencontrar, por acaso, o Menino, agora Reinaldo. A convite deste, que é jagunço de Joca Ramiro, Riobaldo decide ingressar na vida da jagunçagem e seguir o amigo. Reinaldo revela-lhe então, em segredo, que seu verdadeiro nome é Diadorim e lhe solicita que o chame assim quando estiverem sozinhos. A afeição entre ambos começa a se tornar intensa.

2. A vida de jagunço

No primeiro combate de que participam juntos – contra as forças de Zé Bebelo – Diadorim é ferido e desaparece alguns dias. Ao voltar, recusa revelar ao amigo o que fizera no período em que estivera ausente. Algum tempo depois, Sô Candelário, que entrara naquela vida porque sua família era portadora de lepra e ele receava contrair tal doença, assume o comando do grupo. Sucedem-se batalhas e os jagunços vão sendo empurrados para o norte pelas tropas do governo e de Zé Bebelo. Em determinada ocasião, o próprio Joca Ramiro comanda o bando e derrota Zé Bebelo, que é preso e levado a julgamento. Na ocasião, Hermógenes e Ricardão – lugar-tenentes de Joca Ramiro – pedem a morte do prisioneiro. Outros chefes manifestam-se contra. Riobaldo fala, defendendo o seu antigo patrão. Mas Joca Ramiro dá o veredicto final: Zé Bebelo pode partir para Goiás, com a condição de jamais retornar.

Nos dias calmos que se seguem, Riobaldo começa a se inquietar, pois se dá conta de que seu afeto por Diadorim vai muito além da simples amizade. Depois de dois meses de tranqüilidade, o bando recebe a notícia da morte de Joca Ramiro, assassinado à traição por seus aliados, Hermógenes e Ricardão. Ao saber do fato, Diadorim desmaia. Riobaldo tenta lhe abrir o jaleco de couro, mas ele volta a si repentinamente e o repele de forma violenta.

A partir de então, todos os bandos que integravam as forças de Joca Ramiro resolvem se unir e planejar a vingança. O bando de que fazem parte Riobaldo e Diadorim se detém numa fazenda, cujo proprietário é um aliado, Sô Amadeu. Este tem uma única filha, Otacília, por quem Riobaldo se interessa, despertando fortes ciúmes em Diadorim, que chega a ameaçá-lo com um punhal. Antes da partida, Otacília promete esperar Riobaldo para casar-se com ele. Logo depois, em meio a outra crise de ciúmes, Diadorim revela que Joca Ramiro era, na verdade, seu pai. Os dois amigos seguem caminho para reforçar o bando do chefe Medeiro Vaz.

Medeiro Vaz, por sugestão de Diadorim, decide atravessar o Liso do Sussuarão para atacar Ricardão e Hermógenes, que têm fazendas no sul da Bahia. A travessia, no entanto, fracassa e o bando retorna com pesadas baixas. Medeiro Vaz decide então mandar dois homens para entrar em contato com outros chefes que também desejam destruir os traidores. Riobaldo apresenta-se como voluntário e escolhe o jagunço Sesfrêdo para acompanhá-lo. Já na viagem, os dois recebem más notícias: Sô Candelário fora morto, os bandos amigos estavam dispersos em função da perseguição das tropas do governo e Hermógenes e Ricardão aproximavam-se com seus homens para destruir as forças de Medeiro Vaz. Após muitas dificuldades, Riobaldo e Sesfrêdo conseguem retornar e encontram Medeiro Vaz à beira da morte. Contudo, antes de morrer, ele virtualmente indica Riobaldo como o novo chefe. Este não aceita e sugere Marcelino Pampa, o jagunço mais velho para comandar o bando.

Marcelino Pampa fica pouco tempo na chefia dos jagunços, pois Zé Bebelo, sabedor do assassinato de Joca Ramiro, retorna de Goiás e assume, com a concordância de todos, a liderança do grupo. Contudo, o comando de Zé Bebelo não leva o bando à vitória desejada. Riobaldo, por seu turno, entra novamente em crise devido à natureza proibida de um amor que ele não admite como tal:

De que jeito eu podia amar um homem, meu de natureza igual, macho em suas roupas e suas armas, espalhado rústico em suas ações?! Me franzi. Ele tinha a culpa? Eu tinha a culpa. (...) O sertão não tem janelas nem portas.

Em dado momento, os jagunços, fugindo dos inimigos, param numa encruzilhada denominada Veredas Mortas. Ali o bando todo adoece de febres. Durante a estadia no local, Riobaldo vem a saber que o segredo do sucesso de Hermógenes era o fato de que ele vendera sua alma ao Diabo. E resolve fazer o mesmo.

3. O pacto com o Demônio

Antes de sair para novas lutas, Riobaldo decide fazer o pacto. Caminha para a encruzilhada das Veredas Mortas e invoca o Diabo. Este não aparece, mas Riobaldo presume que ele o ouvira. Pela madrugada, retorna ao grupo e começa a contestar a autoridade de Zé Bebelo. Logo em seguida, assume o comando dos jagunços. Zé Bebelo aceita a deposição e o rebatiza de Urutu-Branco.

Depois disso, o novo chefe dirige-se ao arraial dos catrumanos (seres que vivem perdidos nos grotões) e conscreve todos os homens válidos para a luta, além de tomar sob sua proteção o menino Guirigó e o cego Borro-meu, que também são obrigados a acompanhá-lo. Fora isso, Riobaldo toma uma decisão arriscada: atravessar o Liso do Sussuarão e atacar a fazenda de Hermógenes, o que fora tentado, sem êxito, por Medeiro Vaz. A travessia é realizada e a mulher de Hermógenes é presa para servir de isca. Travam-se as primeiras batalhas entre os grupos inimigos e, numa delas, Ricardão é morto por Riobaldo.

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