Literatura Brasileira
  Lit. Conquistadores
  Barroco
  Arcadismo
  Romantismo
  Real/Naturalismo
  Parnasianismo
  Simbolismo
  Pré-Modernismo
  Modernismo
  Poesia Moderna
  Romance de 30
  Lit. Contemporânea
  Aula Virtual
  Livro do Mês
  Tema do Mês
  Textos Comentados
  Resumão




  Livro do Mês


A hora da estrela - parte I

CLARICE LISPECTOR (1920-1977)

VIDA
Nasceu na Ucrânia, em 1920. Seus pais migraram para o Brasil no ano seguinte. Após curta estadia em Maceió, a família mudou-se para Recife. Com 12 anos, Clarice acompanhou o pai e os irmãos rumo ao Rio de Janeiro. Sua mãe falecera três anos antes. Em 1941, ingressou no colégio Andrews. No ano seguinte, começou a trabalhar como jornalista e, em 1943, casou-se com o colega e diplomata Maury Gurgel Valente. Antes do fim da II Guerra já estava na Europa (Nápoles) junto com o marido. Em 1944 veio à luz seu livro de estréia, Perto do coração selvagem. Morou na Suíça, na Inglaterra e nos Estados Unidos, voltando ao Brasil apenas da década de 1960, já divorciada do esposo. Só então sua obra, relativamente pequena, passou a obter reconhecimento do público e da crítica brasileira e internacional. Mesmo assim, sempre foi considerada uma escritora difícil. Além de contos e romances, produziu literatura infantil e matéria jornalística, especialmente crônicas. Morreu em 1977, vítima de câncer generalizado.

OBRAS PRINCIPAIS:

Romances: Perto do coração selvagem (1944); O lustre (1946); A cidade sitiada (1949); A maçã no escuro (1961); A paixão segundo G.H. (1964); Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres (1969); Água viva (1973); A hora da estrela (1977).

Contos: Laços de família (1960); A legião estrangeira (1964); Felicidade clandestina (1971); A via-crúcis do corpo (1974).

A trajetória estética de Clarice Lispector a situa fora dos padrões convencionais da literatura brasileira. Desde sua estréia, a escritora desenvolveu um tipo de ficção inconfundível, assinalada por novos procedimentos narrativos:

- Um interesse específico em desvelar a existência subjetiva dos personagens, relegando a história propriamente dita (a fabulação) a um plano secundário. Mais do que a intriga romanesca, a autora centra suas obras em inusitadas experiências psíquicas e na captação de impressões fugidias despertadas pela realidade.

- Esta forte tendência à ficção introspectiva encontra sua formulação técnica no monólogo interior, isto é um monólogo não pronunciado e que se desenrola apenas na mente dos personagens. O monólogo interior, em sua acepção plena, expõe labirínticos fluxos de consciência dos protagonistas, o que permite ao ficcionista o registro dos conteúdos mais complexos, evanescentes e profundos da alma humana.

- O modo inconfundível com que a autora percebe e revela a realidade levou Affonso Romano de Sant´Anna a valer-se do termo epifania para designá-lo:

O termo epifania significa o relato de uma experiência (...) que mostra toda a força de inusitada revelação. É a percepção de uma realidade atordoante quando os objetos mais simples, os gestos mais banais e as situações mais cotidianas comportam súbita iluminação na consciência dos figurantes (...). Ao dar-se a epifania, a consciência do indivíduo se abre para outra realidade.

Assim, os textos da escritora seriam a condensação de inúmeras epifanias.

PERSONAGENS DILEMÁTICAS

A originalidade dos meios de expressão utilizados por Clarice Lispector tem sua correspondência no inovador universo de personagens que ela cria. Este universo apresenta alguns traços comuns:

- Em geral, são mulheres, imersas em estado de absoluta interiorização, esmagadas pelo peso da subjetividade e para quem a realidade externa é nebulosa e ameaçadora.

- Enclausuradas em dolorosa solidão, estas protagonistas buscam incessantemente a própria identidade. A investigação do “quem sou?” torna-se, invariavelmente, o núcleo psicológico de todos os relatos.

- São personagens em permanente estado de dilaceramento, oscilando entre o desconforto da contínua interrogação íntima e o desejo de ruptura com a introspecção e de estabelecimento de vínculos com o mundo objetivo.

- Uma perpétua sensação de náusea as acomete. Náusea no sentido de Sartre, experiência de vazio, de absurdo da vida e de liberdade ilimitada. O “contato com o outro” talvez seja a resposta a esta náusea, mas as personagens de Clarice raramente alcançam uma saída, e quando a conseguem, caso de Rodrigo S.M., em A hora da estrela, deparam-se apenas com a morte, único elemento de comunhão com o outro.

A HORA DA ESTRELA

Publicado em 1977, pouco antes da autora morrer, A hora da estrela é a única de suas obras que enfatiza aspectos da realidade objetiva e manifesta uma intenção explicitamente social, embora não seja esta a dimensão mais valiosa do texto.

ARGUMENTO

O relato é construído por duas camadas que se interligam de maneira contínua:

a) A camada do narrador: Rodrigo S.M., o primeiro narrador masculino na obra de Clarice, atormenta-se ao escrever uma novela sobre uma jovem nordestina. Ele questiona o tempo inteiro o seu próprio modo de narrar, o seu estilo, a sua capacidade de compreender Macabéa, moça de extração sócio-cultural inferior. Simultaneamente, tenta desvelar o jogo complicado que o seu texto empreende entre a ficção e a realidade. Em última instância, o que ele procura é desvendar o significado da literatura e da existência.

     próxima página
 Compras
 Mais Educação


» Língua Portuguesa

» Relações
    Internacionais


» História do Brasil

» História por
    Voltaire Schilling


» Almanaque

» Virtual Books

» Atlas Universal



 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2003,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade