Literatura Brasileira
  Lit. Conquistadores
  Barroco
  Arcadismo
  Romantismo
  Real/Naturalismo
  Parnasianismo
  Simbolismo
  Pré-Modernismo
  Modernismo
  Poesia Moderna
  Romance de 30
  Lit. Contemporânea
  Aula Virtual
  Livro do Mês
  Tema do Mês
  Textos Comentados
  Resumão




  Livro do Mês


Casa-Grande e Senzala- parte I


Quando Gilberto Freyre publicou Casa-grande e senzala, em 1933, o Brasil vivia um de seus momentos decisivos. A revolução modernizadora – desencadeada em 1930 – transformava a face tradicionalmente rural do país, alterando-lhe não apenas a e estrutura econômica mas também as instituições sociais e políticas. No plano cultural ocorria uma notável efervescência: assimiladas as conquistas estéticas renovadoras da Semana de Arte Moderna, buscava-se agora a discussão da realidade brasileira, cuja ponta do novelo no século XX fora a publicação de Os sertões, em 1902.

Nos meios letrados, sentia-se a necessidade de interpretar o país e suas possibilidades como nação, formando-se então aquilo que Antonio Candido designou como “pré-consciência do subdesenvolvimento”, isto é, uma percepção do atraso e da miséria e que teve como canal mais forte de expressão o romance. Gênero literário normalmente voltado para a crônica do social, tornou-se a espécie predileta de uma geração inteira. Contudo, se o romance dominou o período com os talentos extraordinários de José Lins do Rego, Erico Verissimo, Jorge Amado, Graciliano Ramos, etc., em seu rastro se disseminou outro gênero, o ensaio, que visava a dissecar e refletir aspectos da realidade brasileira de forma direta, sem a mediação dos instrumentos ficcionais.

Um número expressivo de ensaios marca a década de 1930. Produzidos por jovens autores que intentavam abordagens renovadoras de nossos fenômenos históricos, econômicos, sociológicos, educacionais, étnicos, etc. É a década onde avultam as obras de Caio Prado Jr., Nelson Werneck Sodré, Fernando de Azevedo, Roberto Simonsem, Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil, 1936). Entre todas, a que mais resistiu à passagem do tempo foi sem dúvida Casa-grande e senzala.

Uma visão progressista

A crise dos anos 30 naturalmente não se esgotou na problemática econômica e política. Junto com a corrompida República Velha – manipulada pelos interesses dos cafeicultores – esboroava-se um conjunto de valores e idéias. Assim, o novo ímpeto intelectual revolucionário encontraria em Gilberto Freyre um de seus principais porta-vozes. Filho da oligarquia tradicional de Pernambuco, descendente direta de família de senhores de engenho, pertencia a uma classe em derrocada desde a aparição das usinas. Uma classe que desconfiava tanto do incipiente capitalismo que chegava ao campo quanto da expansão burguesa que acontecia no mundo urbano. Porém, ao identificar-se com a Revolução de 30, esta velha aristocracia rural procurava manter-se mais algum tempo à sombra do poder. Adotava parcialmente o novo sem romper com passado.

Tal dialética impregna Casa-grande e senzala. O traço conservador – quase reacionário – reside na exaltação da figura do senhor patriarcal nordestino. Verdade que o Autor não lhes esconde os vícios, as mazelas morais e a violência: eles mandam nas terras, nos engenhos e nos homens com a mesma ferocidade. Só que Gilberto Freyre vê neles (inclusive por causa de sua brutalidade) o fator fundamental para a implantação de um novo processo civilizatório no país. Não poupa tintas cruéis para descrever os horrores da escravidão, mas afirma que a estrutura escravocrata era ainda melhor que a capitalista. Como diz o historiador Carlos GuilhermeMota: “Freyre oscila entre a saga da oligarquia e o desnudamento da vida interna do estamento ao qual pertence.”

A ambigüidade deste posicionamento felizmente submerge na quantidade de acertos que o texto revela. Em pleno apogeu das teorias racistas que imputavam a negros, índios e mestiços a razão maior do atraso nacional, o Autor celebra o papel essencial das etnias dominadas na formação do país. Chega a afirmar que os negros forma mais importantes para a colonização do que seus donos. Descobre e exalta a força vital dos escravos: sua capacidade de resistência ao meio hostil e suas habilidades técnicas e agrícolas. Isso que hoje nos parece óbvio, era uma heresia em 1933.

Também o índio recebe elogios. Não se trata de um selvagem bronco e incapaz. Ao contrário, em muitos sentidos é superior ao conquistador branco. Na limpeza, por exemplo, enquanto os europeus eram sujos e repulsivos, os nativos chegavam a banhar-se dez vezes ao dia. O sociólogo pernambucano mostra os índios como vítimas, não apenas dos colonizadores, mas também dos jesuítas que teriam praticado uma espécie de extermínio indireto das populações locais.



     próxima página
 Compras
 Mais Educação


» Língua Portuguesa

» Relações
    Internacionais


» História do Brasil

» História por
    Voltaire Schilling


» Almanaque

» Virtual Books

» Atlas Universal



 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2003,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade