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Vidas Secas- Argumento- parte 2
Chove. A caatinga volta a ficar verde, o gado retorna. Com a chuva, volta também o fazendeiro, que permite ao retirante ficar na condição de vaqueiro. Começa para Fabiano uma época de fartura, mas ele sabe que isso é passageiro. Um dia, ele seria despedido, porque não era um homem, mas um bicho, isto é, um cabra, (apesar dos olhos azuis e cabelos ruivos), que nada possuía, que nada sabia das complexidades da vida. Quem sabia era o seu Tomás da Bolandeira. Na verdade, a sabedoria do seu Tomás pouco adiantava. O coitado morrera por causa do estômago fraco. Agora era preciso começar a educar os filhos, cale- já-los, ensinar-lhes a lida dos vaqueiros. Estavam ficando curiosos, perguntado-res, insuportáveis.
Fabiano vai à cidade fazer compras, é espancado e preso por ordem de um “sol-dado amarelo”. Na cadeia, reflete sobre a miséria de sua condição. Ele poderia “desmanchar” o soldado com um tabefe, mas o outro era autoridade e ele, como os outros presos ali, não servia para nada. Não fossem a mulher e os filhos en-traria para o cangaço, para vingar-se, mostrar ao soldado e “seus donos”. Não havia esperança para ele e para os seus. Quando os meninos crescessem seriam pobres bichos como ele, maltratados e machucados por um soldado qualquer.
Sinhá Vitória cozinha, sonha com uma cama de lastro de couro (a deles era de vara) e se entristece quando Fabiano ridiculariza os sapatos de verniz que ela usava nas festas, comparando o seu andar ao de um papagaio. Recorda então o papagaio que precisaram comer no início da caminhada, para não morrerem de fome. O papagaio era mudo.
Fascinado pela figura do pai, com seu traje de couro, domando uma égua, o garoto quer imitá-lo, conquistar a admiração do irmão e de Baleia. Espera a hora de as cabras beberem água e monta no bode. O animal corcoveia, joga-o no chão, humilhado diante das risadas do irmão. Passada a humilhação, permanece a admiração pelo pai, o desejo de ser como ele, no futuro, fazer as mesmas coisas.
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