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Vidas Secas- Argumento- parte 3
Intrigado com a palavra inferno, que ouvira de uma benzedeira, o ga-roto interroga a mãe e o pai, a respeito. A mãe lhe diz tratar-se de um lugar muito ruim e, incapaz de descrevê-lo, afasta-o com um cascudo. O pequeno chora, Baleia aproxima-se para consolá-lo. O garoto põe-se a contar-lhe uma história, com um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que comeram no tempo da seca. Baleia respondia com o rabo, com a língua, com movimentos fáceis de entender. Observa-se aqui o processo de identificação entre o menino e a cachorrinha. São dois seres parecidos, social e biologica-mente, que se deslumbram com coisas minguadas: a esperança de um osso, uma palavra bonita – inferno.
Chove no sertão. O sertanejo está contente, apesar do frio e do desconforto que os impede de dormir. Fabiano começa uma história confusa. O menino mais velho não consegue entendê-lo, porque, no escuro, não vê o rosto do pai (veja-se que a comunicação ocorria principalmente por meio de gestos).
Natal. Fabiano e a família vestem roupa nova e vão à festa na cidade. Os meninos estão deslumbrados com tanta gente e tantas coisas coloridas. Sinha Vitória revive o sonho da cama de couro. Baleia some, reaparece, acaba resi-gnando-se a tantas coisas estranhas e cheiro esquisito. Fabiano embria-ga-se, adormece e sonha com os soldados amarelos que o maltrataram.
A cachorrinha adoece e Fabiano precisa matá-la, para desespero dos meninos. Um tiro de chumbo acerta a anca, e Baleia foge para o mato, correndo com dificuldade. O entorpecimento dos sentidos deixa-a confusa. A ausência de sons e cheiros familiares transmite-lhe a sensação de um mundo vazio. Sofrendo muito, procura dormir para acordar num mundo cheio de preás.
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