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  Livro do Mês


Vidas Secas- Argumento- parte final

10. As contas

No acerto com o patrão, Fabiano sempre sai logrado. Sinha Vitória faz as contas do fazendeiro, sempre são diferentes. Eram os juros e os prazos. Fabiano recla-ma, mas acaba se conformando por medo de ser expulso da fazenda. Na sua impotência só resta o ressentimento, o ódio ao fazendeiro, ao soldado amarelo, ao fiscal da prefeitura que lhe cobra imposto e multa quando tenta vender um animal.

11. O soldado amarelo

Um dia, rastreando animais, Fabiano reencontra o soldado amarelo que, há cerca de um ano, o maltratara e o colocara na cadeia. Cortando mato, o facão afiado subia e descia, quando aparece aquele soldadinho magro e, por um mo-mento, o vaqueiro pensa em vingança. O inimigo tremia e batia queixo. Mas não era da natureza de Fabiano matar. Gerações sujeitas ao sofrimento e habitu-adas à passividade produzem tipos passivos, submissos à autoridade. Depois de alguma hesitação, tira o chapéu, prestimoso, e ensina o caminho ao soldado amarelo.

12. O mundo coberto de penas

As aves de arribação chegam em bandos, prenunciando a seca. Fabiano abate algumas para salgá-las e levá-las na viagem próxima. Não pode mais ficar na-quele lugar de lembranças ruins: as contas com o patrão, o soldado amarelo, a seca, a cachorrinha Baleia, que precisara matar e não consegue esquecer. E, por cima de tudo, a consciência de que não tivera coragem de matar o soldado ama-relo, porque é um cabra ordinário, que não consegue se vingar, que não merece respeito.

13. Fuga

Impossível pagar a dívida ao fazendeiro. Fabiano foge. Foge da seca e foge do patrão. Desesperam-se, em princípio, ele e a companheira. À medida que cami-nham vão-se animando, fazendo planos, criando esperanças. Agora pensam em encontrar uma cidade grande, no Sul. Lá envelheceriam enquanto os meninos iriam à escola. “E o sertão continuaria a mandar gente para lá”.

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