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  Literatura Contemporânea


Autores contemporâneos - parte I

A) CONTO

Gênero enganoso, pois qualquer um pode escrever um conto e pouquíssimos sabem fazê-lo com relevância e transcendência, esta é a forma preferida pelos autores jovens brasileiros desde a década de 1970. Muitos desses contistas produziram obras de reconhecida importância. São os herdeiros da grande arte de Dalton Trevisan e Rubem Fonseca. Entre os mais significativos, figuram:

CAIO FERNANDO DE ABREU (1948-1996). Ficcionista da geração dos anos 70, Caio Fernando de Abreu expressa, sobretudo em seus contos – O ovo apunhalado (1975; Pedras de Calcutá (1977); Morangos mofados (1982) –, os dramas existenciais de jovens que viveram, ao mesmo tempo, a ditadura militar, a derrocada dos ideais esquerdistas e a liberalização dos costumes. Ou seja, jovens que assistiram ao malogro das soluções coletivistas e à emergência do individualismo burguês em sua plenitude. A saída dos desencantados personagens do escritor gaúcho é o mergulho na contracultura, na vida alternativa, no culto quase desesperado da droga e em experiências amorosas fugazes e transgressoras. É um mundo sofrido e sem esperança em que os aspectos exteriores da realidade são introjectados pelos protagonistas, resultando em angústia, desespero e náusea.

DEONÍSIO DA SILVA (1948). Contista e romancista catarinense, apresenta em suas histórias breves - Exposição de motivos(1976); Cenas indecorosas (1976); A mesa dos inocentes(1978) – um significativo painel de pequenas cidade do interior sul-brasileiro no exato momento (década de 1970) em que novos comportamentos sociais e afetivos abalavam a rígida sociedade patriarcal. Em tom sarcástico, o autor fustiga o conservadorismo e a natureza repressiva da velha ordem, vendo na revolução dos costumes um fator de progresso e libertação individual. Escritos em linguagem coloquial, os contos de Deonísio da Silva estabelecem, algumas vezes, uma dimensão de obscenidade (no sentido da obra satírica de Gregório de Matos), ao celebrar a força dos instinto como forma de protesto contra a velha ordem.

Entre seus romances, dois deles – A cidade dos padres(1986) e Avante soldados, um passo para trás (1992) – situam-se, por sua força desmistificadora e sua dicção irreverente, entre os mais significativos romances históricos da ficção contemporânea brasileira. O primeiro aborda a experiência missioneira dos jesuítas, no século XVIII, e o segundo, um episódio da Guerra do Paraguai, já tratado pelo Visconde de Taunay (A retirada de Laguna).

JOÃO ANTONIO (1937-1996) Um dos escritores que mais contestaram a ditadura nos anos de 1970, o carioca João Antonio pagou o preço de uma aproximação de parte de sua obra à ideologia populista, muito em voga na época. Esta ideologia, levada para o plano artístico, caracteriza-se pela celebração das camadas populares a partir de uma perspectiva relativamente idealizada das mesmas. Ela desencadeia uma espécie de “estetização da miséria”, como se pode ver, por exemplo, nos contos de Leão-de-chácara (1975) e na pequena novela Lambões de caçarola (1978). No entanto, na década anterior, o ficcionista havia produzido em São Paulo, onde morava, um livro de contos extraordinariamente significativo: Malagueta, Perus e Bacanaço (1963). Nesta obra, João Antônio expunha, de forma simples e lírica (mas contundente), flagrantes da vida minúscula de personagens suburbanos, registrando especialmente o drama dos jogadores de sinuca, os últimos malandros paulistas, condenados ao desaparecimento pela urbanização feroz da cidade. Contos como Meninão do caixote, Afinação da arte de chutar tampinhas e o próprio conto-título do livro estão entre as melhores histórias curtas brasileiras de todos os tempos.

LUIZ VILELA(1942) Ainda que tenha escrito romances e novelas, é no conto que o mineiro Luiz Vilela encontra sua melhor expressão. Em obras como Tremor de terra (1967); No bar (1968); Tarde da noite (1970); O violino e outros contos (1989) e Contos sempre novos (2000), o autor filia-se à tradição ocidental do realismo (Maupassant e Tchecov), valorizando tanto o conto anedótico quanto o conto de atmosfera. É nesse último tipo que Vilela sente-se mais à vontade, criando pequenas narrativas em que o clima lírico e/ou dramático resulta de rápidos diálogos, sutis observações sobre o cotidiano e instantâneos da existência, especialmente de crianças e de jovens que, em geral, são os personagens mais convincentes de sua ficção. Contribui para o efeito sugestivo desses contos a utilização de uma linguagem de rara espontaneidade, cuja execução atinge a excelência nos diálogos, sempre vivos e coloridos.

SERGIO FARACO (1940). Contista sul-rio-grandense vem produzindo uma obra de grande esmero formal e de extraordinária riqueza humana – Hombre (1978); Noite de matar um homem, (1986); Dançar tango em Porto Alegre, (2000). Seus contos articulam-se em torno de dois pólos básicos: uma temática fronteiriça, centrada nos remanescentes da antiga sociedade pastoril (o universo gauchesco) que tentam manter intactos os valores de seus antepassados em meio à decomposição daquela forma de vida, condenada ao desaparecimento pela modernização do país;
e uma a temática urbana em que se movimentam personagens dilacerados pelo desejo sexual, pela solidão e pela crueldade da vida social.

SERGIO SANT’ANA (1941). Ficcionista mineiro radicado no Rio de Janeiro, Sergio Sant’Ana tem como obras principais: Notas de Manfredo Rangel (1973); O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (1982); Senhorita Simpson (1989). Seus contos giram em torno de angústias urbanas típicas do novo Brasil: solidão, desamparo existencial, violência, sexualidade irrefreável. Seus protagonistas são seres esmagados por estruturas que não compreendem, buscando inutilmente um sentido para a vida. Tudo isso é apresentado numa prosa requintada, em que o autor exibe um excepcional domínio da carpintaria do gênero. Já os seus romances,(Confissões de Ralfo, 1975; Simulacros, 1977), parecem perder-se no experimentalismo, não alcançando o mesmo nível dos contos.

Entre tantos outros contistas expressivos, pode-se também citar Aldyr Garcia Schlee, escritor bilíngüe, que vive na zona fronteiriça entre Brasil e Uruguai, e constrói uma obra – Contos de sempre (1983) Uma terra só (1984) – inspirada na solidão do pampa, nas lembranças de guerras, nos dramas elementares da gente que vive nos pueblos, valendo-se, por vezes, de uma estrutura semântica híbrida (português e espanhol); Carmo Bernardes, que renova a ficção de temática rural goiana com algumas poucas, mas significativas obras – Areia branca (1975) e Idas e vindas (1977); Domingos Pellegrini Jr., contista paranaense que apresenta um conjunto de livros influenciados por Máximo Gorki e outros mestres do realismo social – O homem vermelho(1977); Os meninos (1977); As sete pragas (1979) – nos quais registra a desesperada luta de indivíduos de extração subalterna (motoristas, pequenos agricultores, prostitutas, etc,) contra uma “máquina social” de grande crueldade que procura triturá-los; Lorenzo Cazarré que em suas obras – Enfeitiçado por todos nós (1984) e Noturnos de amor e morte (1989) – apresenta alguns contos inesquecíveis, focalizando angustiantes experiências infantis e juvenis, transcorridas em Pelotas, sua cidade natal; Márcia Denser, que, por meio de uma linguagem densa e criativa, vem criando uma surpreendente obra – (Tango fantasma, 1976), O animal dos motéis (1981) Diana caçadora (1986) – em que o erotismo feminino, a violência e a angústia sexual e existencial associam-se intensa e ousadamente; e, por fim, Wander Piroli que com A mãe e o filho da mãe (1966) e A máquina de fazer amor (1980) constrói uma ficção de forte fundo social em que personagens de origem humilde enfrentam a coisificação da realidade, encontrando apoio junto aos seus e na própria família, disso resultando “a preservação do humano dentro de um sistema degradado”(A. Hohlfeldt).



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