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  Literatura Contemporânea


João Cabral de Melo Neto - parte I

JOÃO CABRAL DE MELO NETO (1920)

VIDA: João Cabral de Melo Neto nasceu em Recife. Seus pais descendiam de duas tradicionais famílias pernambucanas e por isso o futuro poeta passou a infância no mundo dos engenhos. Adolescente, estudou com os maristas. Seus primeiros interesses literários, ainda em Recife, foram no campo da crítica, mas em seguida direcionou-se para a criação lírica e aos vinte e dois anos de idade lançou a primeira obra poética, Pedra do sono. Em seguida mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1945, ingressou na carreira diplomática, tendo servido numa série de cidades européias. Em 1966, seu poema Morte e vida Severina teve uma montagem teatral de grande sucesso e e transformou-se em um dos textos mais lidos da poesia brasileira em todos os tempos. João Cabra de Melo Neto faleceu no Rio de Janeiro em 1999.

OBRAS PRINCIPAIS: Pedra do sono (1942); O engenheiro (1945); Psicologia da composição (1947); O cão sem plumas (1950); Morte e vida severina (1956); A educação pela pedra (1966); Museu de tudo (1975)

Como nenhum outro autor de sua época, João Cabral de Melo Neto vê a lírica como a elaboração de um artefato de linguagem. Para ele, a criação poética, longe de ser o resultado da inspiração ou do transe (a exemplo do que românticos, simbolistas e surrealistas pensavam), é entendida como uma lenta e sofrida pesquisa de expressão. Por isso, ele despreza a intuição, o mistério e as revelações inconscientes como móveis do fazer literário, oferecendo em troca uma poética em que tudo é medido, calculado, trabalhado, em um meticuloso processo de construção. O poeta busca a palavra objetiva, a palavra exata, como quem procurasse uma fórmula matemática para representar o mundo. O resultado de seu esforço é uma lírica cerebral que rompe com a poesia feita nos idos de 1940, excessivamente palavrosa, prisioneira da musicalidade fácil e do exagero metafórico.

Pode-se entender melhor a concepção de João Cabral a respeito do fazer poético lendo-se o trecho abaixo da obra Psicologia da composição:

Não a forma encontrada
como uma concha, perdida
nos frouxos areais
como cabelos;

não a forma obtida
em lance santo ou raro,
tiro nas lebres de vidro
do invisível;

mas a forma atingida
como a ponta do novelo
que a atenção, lenta,
aranha; como o mais extremo
desse fio frágil, que se rompe
ao peso, sempre, das mãos
enormes. (...)

As primeiras obras de João Cabral (Pedra do sono, O engenheiro, Psicologia da composição) iniciam o trabalho do despojamento: a linguagem torna-se cada vez mais rigorosa e seca. O poeta dá a impressão de estar experimentando e definido o seu instrumental. E os poemas geralmente tematizam o próprio fazer poético. Quando muito, centram-se no mundo objetivo. Em nenhum momento, o escritor se deixa atrair pela confissão sentimental. O eu está fora de seu horizonte lírico.



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