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  Literatura Contemporânea


Prosa brasileira de temática urbana (1945-1970) - parte II


QUASE MEMÓRIA

Situado entre a ficção e o memorialismo, o relato Quase memória é a obra-prima de Carlos Heitor Cony. Escrito vinte anos depois do autor anunciar a sua retirada da vida literária, o texto foi saudado entusiasticamente por leitores e críticos. A partir de um fato estranho – um misterioso embrulho que é deixado ao escritor, trazendo sobrescrito o seu nome, mas com a inconfundível letra de seu pai, que morrera dez anos antes –, Cony mergulha no passado e realiza uma das mais belas evocações da narrativa brasileira.

Através de um linguagem de intensa força poética, o filho recompõe as aventuras desse pai inventivo e generoso, sempre capaz de surpreender os familiares e amigos com idéias pitorescas, inesperadas, quando não absurdas. Ao mesmo tempo, um pai amoroso, atencioso, apaixonado por balões de São João, paixão da qual resulta – no mundo de lembranças do escritor – uma das páginas mais líricas de sua obra:

Saber que o meu balão não mais existia doeu. E só não doeu mais porque esse balão freqüenta meus sonhos – e até hoje – minhas insônias. É quando de repente, iluminado e silencioso, ele se ergue, roxo e branco, e passa pela minha memória, lentamente, cobrando-me o legado que me deixou, um legado de tristeza, mansidão e fragilidade.

Provavelmente parte do fascínio de Quase memória nasça também da evocação do Rio de Janeiro das décadas de 1940 e 1950. Um Rio de Janeiro ainda ameno, onde quase todos os integrantes de uma mesma classe se conheciam e as pessoas mantinham relações de cordialidade e urbanidade. De certa forma, o pai de Cony encarna este modo de ser carioca – hoje condenado ao desaparecimento: uma mescla de humor, boa educação, fineza de trato, informalidade e, de vez em quando, de irreverência. Estes valores, típicos dos homens que viviam na antiga capital do Império e da República, sintetizam-se admiravelmente na figura do pai do escritor.

No final do relato, o narrador não abre o estranho embrulho. Não precisa. O embrulho era apenas o motivo para uma viagem ao tempo perdido (“...enseada escura onde a memória é âncora e luz”). Das sombras desse passado ressurgem uma figura humana singular e uma cidade maravilhosa, num romance que é o mais carioca de todos os romances escritos no século XX.

OUTROS AUTORES

HERMILO BORBA FILHO (1917 -1976). Personalidade de importante atuação na vida teatral brasileira, foi responsável por uma tetralogia que teve forte impacto na época de sua publicação: Um cavalheiro da segunda decadência, (Margem das lembranças, 1966; A porteira do mundo, 1967; O cavalo da noite; 1968; Deus no pasto, 1972). Sob forma memorialística/autobiográfica, mesclada, com elementos ficcionais, a tetralogia é um ininterrupto e quase desmedido fluxo verbal de um narrador que evoca a sua existência no interior pernambucano, depois no Recife e, mais tarde, no centro do país. É visível a influência do romancista norte-americano Henry Miller no despudor da confissão pessoal, na descrição minuciosa das inúmeras experiências sexuais e na utilização de uma linguagem sem peias. Ao contrário, porém, de seu modelo, Hermilo Borba Filho consegue construir com infindáveis lembranças um significativo painel da realidade sócio-histórica nordestina, especialmente em seus aspectos políticos e morais.

BERNARDO ÉLIS (1915-1997). Contista e romancista goiano (O tronco, romance, 1956; Veranico de janeiro, contos, 1966; Caminhos dos gerais, contos, 1975; André louco, contos, 1978), Élis fixou o interior de sua província, captando a vida rural nos ermos e gerais com precisão fotográfica e um uso intenso da linguagem regional. Nos seus melhores momentos (contos como A mulher que comeu o amante e A Virgem Santíssima no quarto de Joana, etc.), Bernardo Élis consegue dar padrão literário à fala dos matutos e torna-se um inventivo narrador de fatos e histórias, compondo um quadro colorido de sua região.

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