|
João Ubaldo Ribeiro - parte II
Getúlio sai de casa, isto é, de um mundo arcaico, regido por um código semi-feudal de conduta e marcha para um outro mundo, o urbano, onde se celebram acordos e pactos políticos completamente absurdos para sua mente sertaneja. Esta é a viagem mais profunda do romance. Uma viagem entre dois tempos históricos diversos que se chocam sem alternativas de conciliação. José Hildebrando Dacanal, o principal analista desta perturbadora narrativa, mostra o caráter trágico de Getúlio: A inevitabilidade de sua trajetória. O protagonista percebe que a realidade foge-lhe aos pés, mas não pode recuar: Não gosto que o mundo mude, me dá uma agonia, fico sem saber o que fazer. Avançar rumo ao litoral com um homem que não interessa mais ao chefe político manter como prisioneiro é o destino de Getúlio. Para ele, as ordens de Acrísio só podiam ser desfeitas pelo próprio Acrísio. É um código de honra que não tem mais sentido no Brasil urbano. Preso a valores condenados pela modernização do país, só resta ao sargento a autodestruição. E ele morre como símbolo de um mundo condenado ao desaparecimento: Eu sou sargento da Polícia Militar do Estado de Sergipe. Não sou nada, eu sou é Getúlio. (...) Eu não sou é nada.
|