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  Literatura Contemporânea


Luis Fernando Veríssimo - parte I

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO (1936)

Vida: Filho do escritor Erico Verissimo, Luis Fernando nasceu em Porto Alegre, no ano de 1936.. Após alfabetizar-se, o menino seguiu com a família para a Califórnia, onde seu pai ministrou cursos de Literatura Brasileira. De volta a Porto Alegre, Luis Fernando cursou o ginásio. Contudo, em 1954, a família viajou novamente para os Estados Unidos. Lá o futuro cronista realizou seus estudos médios. Veio desta época, transcorrida na América, o seu interesse pela música, fato que o levou a tornar-se um competente saxofonista. Na década de 1960, estabelecido outra vez em Porto Alegre, ingressou na publicidade. Entre 1962 e 1966 morou no Rio de Janeiro. Lá se casou e teve a sua primeira filha. Em 1966, fixou definitivamente sua residência na capital gaúcha. Três anos depois, começou a publicar as suas primeiras crônicas no jornal Zero Hora. Em 1973, vem à luz seu primeiro livro: O popular. Posterior passagem pela revista Veja, a partir de 1982, fez com que o seu nome se tornasse conhecido em todo o país. A partir de então, publicou textos curtos em vários jornais e revistas e produziu scripts para a televisão. Muitos de seus livros têm liderado as listas dos mais vendidos desde a década de 1980.

Obras principais: O popular (1973); As cobras (1975); Ed Mort (1979); O analista de Bagé (1981); O gigolô das palavras(1982); A velhinha de Taubaté (1983); Comédias da vida privada; Comédias para se ler na escola (2001); As mentiras que os homens contam às mulheres (2001);

Espetacular fenômeno editorial contemporâneo, com milhões de exemplares vendidos, a obra de Luis Fernando Veríssimo é, certamente, um dos pontos culminantes da crônica brasileira.

Uma das razões deste êxito nasce da capacidade do autor de lidar com as possibilidades do gênero: do comentário lírico ao comentário irônico, da criação de atmosfera ao relato anedótico, passando pela sofisticada análise sócio-cultural do país e do mundo, em todas estas manifestações avulta o seu talento através de uma forma original de expressão, (mesmo sendo um talento até certo ponto limitado pela dimensão de imediatismo e de superficialidade que as circunstâncias jornalísticas impõem à crônica).

Senhor de uma linguagem ao mesmo tempo coloquial e elegante, enriquecida por tiradas engraçadíssimas e por comentários inteligentes a respeito da cultura de massas, Veríssimo possui um estilo, isto é, uma maneira específica e absolutamente pessoal de narrar ou de comentar a vida, algo que poucos cronistas conseguem alcançar.Trata-se de um estilo tão sedutor que até os leitores que discordam de algumas das idéias do escritor – a exemplo do que ocorre com textos de Nelson Rodrigues – continuam fãs de suas crônicas.

Além disso, Luis Fernando Veríssimo produz cartuns, traduzindo, com admirável poder de percepção e de síntese – especialmente nas Aventuras da família Brasil – a perplexidade e as risíveis angústias da classe média diante das violentas mudanças comportamentais ocorridas no país, nas últimas décadas.

GALERIA DE TIPOS

Um dos recursos primordiais da crônica de Luis Fernando Veríssimo é a criação de personagens que, com duas ou três características, representam satiricamente aspectos da realidade brasileira. Entre estes tipos o mais popular é o analista de Bagé. Com seus métodos poucos ortodoxos (“a terapia do joelhaço”, por exemplo), suas concepções simplórias e bem-humoradas sobre a alma humana e seu impagável linguajar gauchesco, o analista permite a Veríssimo ironizar tanto a psicanálise quanto o bairrismo sul-rio-grandense. Veja-se este fragmento de uma das crônicas do livro O analista de Bagé:

Pues, diz que o divã no consultório do analista de Bagé é forrado com um pelego. Ele recebe os pacientes de bombacha e pé no chão.
– Buenas. Vá entrando e se abanque, índio velho.
– O senhor quer que eu deite logo no divã?
– Bom, se o amigo quiser dançar uma marca, antes, esteja a gosto. Mas eu prefiro ver o vivente estendido e charlando que nem china da fronteira, pra não perder tempo nem dinheiro.
– Certo, certo. Eu...
– Aceita um mate?
– Um quê? Ah, não. Obrigado.
– Pos desembucha.
– Certo. Bem. Acho que o meu problema é com a minha mãe.
– Outro...
– Outro?
– Complexo de Édipo. Dá mais que pereba em moleque.
– E o senhor acha...
– Eu acho uma pôca vergonha.
– Mas...
– Vai te metê na zona e deixa a velha em paz, tchê!

Índio velho: companheiro. Charlando: falando. Pôca: pouca. Zona: zona de prostituição.

Outro tipo de grande sucesso é o detetive particular carioca Ed Mort. Paródia dos grandes detetives americanos criados por Raymond Chandler e Dashiel Hammett, Ed Mort nada decifra, vive na miséria e tem pouca sorte com as mulheres:

Mort. Ed. Mort. Detetive particular. É o que está escrito na plaqueta. Divido este escritório em Copacabana com cento e dezessete baratas e um ratão albino, só que eles não pagam aluguel. Pensando bem, eu também não. Mas eu tenho uma razão honesta. Sou um caloteiro. Mort. Ed Mort. Meu escritório fica entre “Cópias heliográficas, chaves na hora, carimbos e água de côco”, e “Dona Doca, doces caseiros”. Dona Doca já foi assaltada cinco vezes. E isso que abriu ontem. Da última vez não tinham mais nada para roubar e levaram só açúcar. Mort. Ed. Mort. Está na plaqueta.

Criada no crepúsculo do governo Figueiredo (1982-83), a velhinha de Taubaté, desde o seu surgimento, passou a representar a credulidade absoluta, isto é, a encarnação daquelas pessoas que não duvidam das proclamações oficiais ou que crêem piamente num líder ou num partido político:

Não se sabe, exatamente, o seu endereço, mas tudo indica que seja em Taubaté. Outros detalhes – nome, estado civil, CIC – são desconhecidos. Sabe-se apenas que é uma velhinha, que mora em Taubaté e que passa boa parte do seu tempo numa cadeira de balanço assistindo ao Brasil pela televisão.
A velhinha de Taubaté é o último bastião da credulidade nacional. Ninguém acredita mais em nada nem em ninguém no país, mas a velhinha acredita.



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