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  Literatura Contemporânea


Rubem Braga - parte I

RUBEM BRAGA (1913-1990)

VIDA:

Nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, no ano de 1913, onde fez seus primeiros estudos. Concluiu o colegial em Niterói e ingressou da Faculdade de Direito do Rio Janeiro. Muito jovem, tornou-se repórter e, em seguida, cronista, trabalhando na imprensa da antiga capital federal, mas também em São Paulo, Porto Alegre e no Recife. Seu primeiro livro de crônicas saiu em 1936, O conde e o passarinho, sendo muito bem recebido pelo público. Em 1944, já famoso, acompanhou a Força Expedicionária Brasileira ao front europeu, resultando desta experiência as crônicas reunidas na obra Com a FEB na Itália (1945). Nos anos 50 desempenhou cargos diplomáticos no Chile e no Marrocos. Além disso, integrou a célebre equipe de cronistas da revista Manchete. Nas décadas de 1960 e de 1970, já estava convertido num mito vivo da literatura brasileira.

Nos últimos anos de vida, Rubem Braga retirou-se para a sua célebre cobertura no Leblon, onde “cultivava aves, árvores e amigos”. De lá assistiu desencantado aos desdobramentos da ditadura militar, à crise da Manchete, que fora o seu mais relevante local de trabalho e as rapidíssimas transformações ocorridas nas grandes cidades brasileiras as quais, desumanizando-se, tornaram quase impossível o tipo de crônica lírica produzida pelo escritor. O “velho Braga”, como ele próprio se designava morreu de câncer em 1990.

OBRAS PRINCIPAIS: Um pé de milho(1948); O homem rouco(1949); A borboleta amarela(1956); A cidade e a roça (1957); Ai de ti, Copacabana! (1960); A traição das elegantes(1967).

Entre todos os cronistas brasileiros, Rubem Braga deixou a obra mais singular e, talvez, a mais permanente. Partindo – a exemplo dos demais praticantes do gênero – dos fatos triviais do cotidiano, ele conseguiu ultrapassar os limites da crônica (compromisso excessivo com acontecimentos quase sempre perecíveis e linguagem insuficientemente elaborada) e alcançou um patamar artístico apreciável. Dois fatores parecem explicar esta superação do caráter circunstancial da crônica: a sua forma de encarar a realidade e o seu estilo.

UMA VISÃO LÍRICA E MELANCÓLICA

Apesar de ter escrito alguns textos irônicos, o melhor de Rubem Braga – conforme a lúcida observação do crítico Davi Arrigucci Jr., resulta da captação do inesperado poético que brota de pequenas cenas do cotidiano. O cronista se interessa por notícias desimportantes, pelas manifestações comuns da natureza (o vento, o sol, a nuvem, a lua, a mudança das estações), pelos olhares rápidos trocados nas ruas, por lembranças súbitas do seu passado interiorano ou por alguma antiga amada cuja evocação o comove. É um escritor dos momentos que estão passando ou já passaram. Até a guerra, da qual participara como correspondente, pareceu interessá-lo mais em suas pequenas histórias dramáticas do que em sua abrangência histórica.

Nesses instantes fugazes, Rubem Braga descobre o sentido profundo daquilo que é aparentemente irrelevante, intui o lírico na banalidade e ouve dentro de seu próprio coração as ressonâncias do mundo objetivo. Mas o que ele compreende, especialmente, é que tudo na vida tem um caráter transitório: objetos, pessoas e sentimentos. A consciência da dimensão passageira de todas as coisas leva-o a uma percepção melancólica da existência. E também a uma celebração da memória, pois através dela o cronista recupera (ainda que precariamente) as emoções que estão se diluindo sob o efeito do tempo destruidor. Veja-se estes excertos, retirados da crônica Às duas horas da tarde de Domingo:

No meio de muita aflição e tristeza houve um momento, lembras-te? Foi por acaso, foi de repente, foi roubado, e se alguém tivesse a mais leve suspeita seria uma ignomínia*. Mas houve um momento; e dentro deste momento houve silêncio e beleza. (...)
Serão lembranças verdadeiras? Como volta àquele apartamento, reconstituir aquelas duas horas da tarde, lembrar a data, verificar a posição dos móveis e o ângulo da incidência do sol? Do chão ou da porta do banheiro – creio que do chão – ele iluminava os teus olhos claros que me fitavam quietos.(...)
Houve um momento. Talvez a pintura da parede hoje seja diferente; creio que era rosa. Tua roupa de banho era preta, tinha alça, lembro as marcas das alças. (...)
A lembrança que ficou é de um momento em que boiamos no bojo de uma nuvem, longe da cidade e do mundo, e todos os ruídos se distanciaram e se apagaram, ainda estavas toda salgada do mar, teus olhos me miravam quietos, sérios, teus olhos sempre de menina, teus cabelos molhados, teu grande corpo de um dourado pálido.
Houve um momento, aquele momento em que a carne se fez alma; e depois, muito depois, me disseste a mesma coisa que eu sentira, aquele momento suspenso no ar como uma flor, o estranho silêncio, sim, te lembras! (...)
Ah, não me podes mais responder. Falo sozinho. Estás longe demais; e talvez tivesse de olhar duas vezes para reconhecer neste homem de cabelos brancos e de cara marcada pela vida aquele que fui um dia, o que te fez sofrer e sofreu; mas quero que tu saibas que te vejo apenas como eras naquele momento, teu corpo ainda molhado do mar às duas horas da tarde (...), naquele momento eras bela e pura como uma deusa e eras minha eternamente, eternamente. (...) Naquele edifício daquela rua, naquele apartamento , entre aquelas paredes e aquele feixe de sol, eternamente. (...)

Ignomínia: desonra, infâmia



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