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Poesia Concreta- parte II
Os autores concretistas desintegraram o lirismo pretensioso e retórico da geração anterior e transformaram seu movimento, por alguns anos, em um divisor de águas entre a velha poesia e a nova vanguarda. Apesar da escassa receptividade pública de suas obras, as mesmas tiveram inegável importância na problematização estética da época. Cultos e sofisticados, emitiram um sem número de manifestos e de interpretações da própria poesia. A autopublicidade e autocitação contínuas do grupo (combinadas com a incapacidade de aceitar qualquer outro tipo de poesia) renderam-lhe admiradores e inimigos, a tal ponto que, nos anos de 1960, nenhum poeta poderia estrear sem fazer a opção “concreto x não-concreto”. No entanto, quase todos os primeiros adeptos do movimento acabaram se afastando do núcleo fundador. Entre eles, Ferreira Gullar, que não apenas renegou o concretismo, como passou a combatê-lo, vendo na poética inovadora da década de 1950 apenas um vanguardismo vazio e historicamente datado: “Trata-se de uma poesia artificiosa, imposta pela teoria. Uma novidade que logo passou.” É preciso reconhecer, contudo, que o objetivo de criar uma “poesia de exportação”, tão presente no fundadores do movimento obteve êxito, pois grupos concretos de maior ou menor relevância se formaram em vários países: Alemanha, Suíça, Portugal, França, etc. Observe-se, por outro lado, que nas artes plásticas nacionais, o concretismo dialogou com criadores muito importantes como Lígia Clark, Hélio Oiticica e outros. Também a música popular brasileira sofreu o impacto do projeto paulista. Os chamados tropicalistas, em especial, se apropriaram de certas características do movimento para compor suas letras mais ousadas. Alguns anos depois, na canção Sampa, Caetano Veloso celebraria os fundadores da vanguarda concretista: Quando eu cheguei por aqui Eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas
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