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Citações de Maquiavel
Todos já ouvimos falar de Maquiavel, ou escutamos que alguém "é maquiavélico". As citações a seguir foram extraídas do livro O Príncipe. Talvez a leitura dessas linhas possam levar a pensar que o que chamamos "maquiavélico" é, na realidade, um profundo conhecimento psicológico do ser humano e um grande senso comum. A obra completa é um tratado sobre a arte da política e, o que nela se expõe, vigora ainda hoje em dia, pois o maquiavelismo é universal e perpétuo.Alianças Deves te precaver de não estabelecer uma aliança com alguém mais poderoso que tu para atacar os outros, a não ser que te vejas forçado a isto. A razão é que, em caso de vitória, te tornas seu prisioneiro e os príncipes devem evitar, na medida do possível, ficar à mercê dos outros. Também se adquire prestígio quando se é um verdadeiro amigo ou um verdadeiro inimigo, isto é, quando se coloca resolutamente em favor de alguém contra outro. Esta forma de agir sempre é mais útil que permanecer neutro, porque quando dois estados vizinhos entram em guerra, o vencido haverá de temer o vencedor. O vencedor não quer amigos duvidosos que não o defendam na adversidade; o derrotado não te concede refúgio por não ter querido compartilhar sua sorte com as armas em mão (SIC). Arte da Guerra, A O príncipe que não se preocupa com a arte da guerra, além das calamidades que possam lhe acontecer, jamais poderá ser apreciado por seus soldados nem confiar neles. Castigos Com pouquíssimos castigos, porém exemplares, [o príncipe] será mais clemente que aqueles que, por excessiva clemência, permitem que a desordem continue, da qual surge, sempre, assassinatos e rapinas. Crueldade A crueldade pode ser bem ou mal usada. Bem usadas pode-se dizer daquelas (se do mal for lícito falar bem) que se fazem repentinamente, pela necessidade de se garantir (ou precaver), e, depois, não se repetem, tornando-as da maior utilidade possível para os súditos. Mal usadas são aquelas que, mesmo poucas a princípio, vão aumentando no decorrer do tempo ao invés de diminuir. Delegar as medidas impopulares Os príncipes devem executar, através dos outros, as medidas que possam lhes acarretar ódio, e executar por si mesmo aquelas que lhes angariam o favor dos súditos. Deve estimar os nobres, mas não se fazer odiar pelo povo. Eleição e manipulação dos conselheiros Não há outro meio de se defender das adulações do que fazer os homens compreender que não te ofendem se te dizem a verdade, mas, quando todo mundo pode te dizer a verdade, te falta reverência. Um príncipe prudente deve ter uma terceira opção: escolhendo homens sensatos e concedendo somente a eles a liberdade de lhe dizer a verdade, mas unicamente sobre aqueles assuntos que ele questionar e nenhum outro. Entreter o povo Ademais, deve, nas épocas convenientes do ano, distrair o povo com festas e espetáculos. Evitar o ódio do povo O príncipe deve inspirar temor de forma que, se lhe for impossível ganhar o amor do povo, consiga evitar o ódio, porque pode se combinar perfeitamente o fato de ser temido com o de não ser odiado. O príncipe deve evitar tudo aquilo que possa torná-lo odioso ou desprezível. Fidelidade à palavra dada Um senhor prudente não pode, nem deve, manter sua palavra quando tal fidelidade se vire contra si mesmo e tenham desaparecido os motivos que determinaram sua promessa. Se todos os homens fossem bons, este preceito não seria correto; mas, posto que são maus e não manteriam sua palavra para contigo, também não deves manter a tua. Generosidade Tem de ser generoso com aqueles de quem não tira nada - que são muitíssimos - e avarento com aqueles que nada dá, que são poucos. Com aquilo que não é teu nem dos teus súditos podes ser consideravelmente mais generoso. Gastar o que é dos outros não tira a reputação, ao contrário, a aumenta. Imitar os grandes homens Um homem prudente deve discorrer (ou percorrer), sempre, os caminhos trilhados pelos grandes homens e imitar aqueles que têm se destacado extraordinariamente dos demais, para que mesmo que não alcance sua virtude, algo de sua essência permaneça. Injustiças e favores ( o mal é rápido e o bem é lento) As injustiças devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, pouco saboreadas, ofendam menos, ao passo que os favores devem ser feitos aos poucos, para que sejam melhor apreciados. Quando os homens recebem o bem de quem esperavam o mal, sentem uma obrigação maior pelo benfeitor, o povo exige mais daquele que foi conduzido ao principado sem o seu apoio. Natureza humana Pode se dizer dos homens o seguinte: são ingratos, volúveis, simulam o que não são e dissimulam o que são, fogem do perigo, estão ávidos de ganância. E, enquanto lhes fazes favores são totalmente teus, te oferecem o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando a necessidade está distante; quando esta se aproxima, te viram a cara. Os homens esquecem com maior rapidez a morte do seu pai que a perda do seu patrimônio.A natureza dos homens é contrair obrigações entre si, tanto pelos favores que fazem como pelos que recebem. O que se deve fazer Quem deixa de lado o que faz pelo que deveria fazer, conhece antes sua ruína que sua preservação. Prestígio Também ajuda bastante dar exemplos surpreendentes em sua administração dos assuntos internos, de forma que quando algum subordinado praticar uma ação extraordinária (boa ou má) lhe confira um prêmio ou um castigo que dê suficiente motivo para que dele se fale. Temos de ser ardilosos para que cada uma de nossas ações nos proporcione fama de grandes homens e de talento excelente. Muita gente julga que um príncipe sábio deve, quando tiver a oportunidade, fomentar com astúcia alguma oposição a fim de que, uma vez vencida, brilhe a maior altura sua grandeza. Prudência Aquele que não detecta os males quando nascem, não é verdadeiramente prudente. Qualidades do príncipe Há certas qualidades que o príncipe poderia ter - inclusive me atreverei a dizer que se as têm e as observa, sempre são prejudiciais – porém, se aparenta tê-las são úteis; por exemplo, parecer clemente, leal, humano, íntegro, devoto e de fato sê-lo, porém, ter o ânimo predisposto de tal forma que se for necessário não sê-lo, possa e saiba adotar a qualidade contrária. Quando iniciar o combate Jamais deve se permitir a continuação dos problemas para evitar uma guerra; não se evita, apenas se retarda, ficando, porém em desvantagem. Recompensas Quem acredita que novas recompensas farão os grandes homens esquecer as antigas injustiças de que foram vítimas, engana-se. Resistência às mudanças Os homens vivem tranqüilos se mantidos nas antigas formas de vida. Sua incredulidade faz com que acreditem no novo somente quando adquirem uma sólida experiência dele. A natureza dos povos é muito inconstante: é fácil convencê-los de alguma coisa, porém é difícil mantê-los convictos.Simulação e dissimulaçãoÉ necessário ser um grande simulador e dissimulado: e os homens são tão simples e se submetem a tal ponto às necessidades presentes que aquele que engana encontrará sempre quem se deixe enganar. Cada um enxerga o que aparenta ser, mas poucos tentam conhecer o que tu és realmente. A pouca prudência dos homens os impulsiona a iniciar uma coisa e, pelas vantagens imediatas que ela apresenta, não percebem o veneno que por debaixo está escondido. Vingança Os homens devem ser afagados ou esmagados, porque se vingam das pequenas ofensas já que das graves não podem fazê-lo. A afronta deve ser tal que não gere a ocasião de temer a vingança. (*) Tradução feita do espanhol e cotejada com o original italiano por Elizabeth Fornés.
Cronologia da sua Vida (1469 – 1527)
1469 - Nicolau Maquiavel nasce em meio a uma antiga família toscana, ilustre mas com poucos recursos, no dia 3 de maio. Formalmente Florença era uma republica, mas quem de fato exercia o poder na cidade era a famosa família Médici, uma dinastia de banqueiros que chegou a ter familiares e funcionários seus no Trono de São Pedro.1469-1470 – Os filhos de Pedro de Médici, Lourenço e Juliano sucedem-no no controle dos negócios. Juliano é assassinado na catedral de Florença por sicários a mando dos Pazzi, uma família rival, em 1478. Seu irmão Lourenço dito o Magnífico, marcará época estimulando as artes e a cultura o que assinalou o período de apogeu da civilização florentina. A morte daquele mecenas, ocorrida em 1492, ano da viagem de Colombo à América, registra o inicio de uma era turbulenta e declinante da cidade. 1494 – O rei francês Carlos VIII realiza uma expedição militar contra os pequenos estados italianos. Começo das grandes invasões estrangeiras na Itália (a chegada dos "bárbaros", segundo Maquiavel). Depois de 60 anos controlando o governo (1434-1494), os Médici fogem de Florença. A república é proclamada. Em meio à crise provocada pela queda dos Médicis, um monge puritano e fanático chamado Jerônimo Savonarola, prior da igreja de São Marcos, impõe um regime teocrático em Florença que culmina na cerimônia da Fogueira das Vaidades, na qual os cidadãos deviam queimar seus bens de luxo e de arte. O monge é excomungado pelo papa e finalmente supliciado em 1498. 1498 - No dia 19 de junho, na idade de 29 anos, Nicolau Maquiavel dá início a sua carreira de diplomata na Chancelaria da cidade de Florença. Torna-se secretário da embaixada e viaja para a França em 1500. Trava conhecimento com César Bórgia (filho do papa Alexandre VI), a quem ele passou a depositar as esperanças dele um dia vir a ser o príncipe que unificaria a Itália dilacerada pelas guerras internas e ameaças externas. 1502/3 – Legações de Maquiavel em Roma e novamente na França. A intimidade dele com os poderes maiores da época - o Papado, os Bispados, as Monarquias e as Tiranias - é que lhe servirão de matéria-prima para redigir o "O Príncipe" dez anos depois. Associa-se a Leonardo da Vinci e ao projeto dele de abrir um canal no rio Arno que permitisse a Florença alcançar o mar. 1504 – 1512 – Intensa atividade diplomática junto a varias cidades italianas e novamente na França. 1512 – O rei da Espanha restaura o poder dos Médicis em Florença, depois de 16 anos da exclusão deles. Começo do inferno para Maquiavel. Ele é destituído das funções diplomáticas, preso e torturado. 1513 - Ano da morte de Pier Soderini, gonfaloneiro eleito em 1502, chefe do executivo da cidade, a Senhoria, que por muitos anos foi seu amigo e protetor de Maquiavel. Este, caído em desgraça, foi confinado em exílio na sua propriedade em San Cassiano, uma gleba de terra nas proximidades de Florença. Dedica-se então a pensar e a escrever, ocasião em que apronta "O Príncipe" (dedicado a Lourenço de Médici, duque de Urbino) e o também valioso "Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio", ambos os livros formarão gerações de estadistas e estudiosos da vida política. 1518 – Passados seis em banimento, as medidas restritivas se afrouxam e Maquiavel volta a participar das rodas literárias e políticas da cidade. Os Médicis resolvem reaproveitá-lo em algumas missões diplomáticas, sem restaurá-lo nas suas antigas funções. 1519 – O cardeal Júlio de Médicis (que depois se tornou o papa Clemente VII), encarregou-o de escrever a história da cidade. Ocasião em que ele acaba a redação do seu “Arte da Guerra (no qual advoga a necessidade de haver exércitos de conscritos e não mais tropas mercenárias)". 1521- Novas missões o levam a Veneza e a outras cidades. 1527 – Morre aos 58 anos no dia 22 de junho, de uma inflamação ulcerosa, bem longe de poder ver a Itália livre da ingerência estrangeira. Naquele mesmo ano, tropas imperiais do condestável de Bourbon tomam Roma. 1532 - Publicação pós-mortem de "O Príncipe", dos "Discursos sobre a Década de Tito Lívio" e da "Historia de Florença". A fama dele começa então a se espalhar pela Europa das cortes e das universidades. O sonho dele em ver a Itália unificada somente realizou-se 334 anos depois, quando Vitório Emanuel, o rei do Piemonte, sagrou-se rei da Itália, em 1861.
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