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A última viagem de Cristóvão Colombo
Duas cidades, São Domingo nas Antilhas, e Sevilha na Espanha, uma na América, outra na Europa, disputam, desde 1877, a primazia de acolherem a urna que conteria os verdadeiros restos mortais do almirante Cristóvão Colombo, o descobridor do Novo Mundo, falecido em maio de 1506. Com o espantoso avanço do conhecimento genético a Universidade de Granada tomou a si resolver o mistério de qual dos caixões de chumbo existentes abriga de fato os ossos do grande navegador.
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O Grande Almirante Cristóvão Colombo (1451-1506)
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"É certo que eu servi às Suas Majestades com diligência e amor e não para ganhar o paraíso, e se em alguma coisa houve falta, havia sido por ser impossível ou pelo meu saber e força não alcançar o que havia adiante." Cristóvão Colombo em carta ao seu filho Diego: Sevilha, 21 de novembro de 1504Em maio de 1505, Cristóvão Colombo, o grande Almirante do Mar Oceano, governador e vice-rei das Ilhas e da Terra Firme, saiu a trote montando numa mula pelas estradas e picadas da Espanha para uma derradeira audiência. Partindo de Sevilha, cruzando o alto da Serra de Guadarrama, foi encontrar-se em Madri, pela última vez na vida, com o rei Dom Fernando, de quem reclamava favores. Ele que, em anos anteriores, cortara as águas do grande oceano por quatro vezes, comandando 30 caravelas e quase 1.700 marinheiros, agora cinqüentão e adoentado movia-se sozinho no lombo de um muar. Reunião inútil, pois o monarca bem pouco atendeu suas reivindicações, a não ser transmitir a Diego, o filho mais velho do descobridor, o título de almirante. A grande protetora de Colombo, a rainha Isabel morrera um ano antes, em 1504, e ele nem fora chamado à corte para prestar-lhe as homenagens derradeiras. Com suas lamurias de eterno injustiçado, atacado pela gota e pela artrite, ele tornara-se um incômodo para a gente da corte. Suas exigências de dízimos, de oitavos e de quintos, sobre tesouros, e tributos outros sobre as terras conquistadas, que ele sentiu-se com direitos desde que os reis católicos assinaram a Capitulação de Santa Fé, em 17 de abril de 1492 (que, se cumpridos seus 5 artigos, o tornariam no futuro um multimilhonário, com um patrimônio superior aos das Altas Majestades da Espanha), terminaram por enfraquecer o seu partido junto aos soberanos.
Desde então, recolhido a uma boa casa em Sevilha, com visíveis sinais de esgotamento físico, Colombo obcecou-se em lutar por dinheiros devidos. Chegou até a pensar, para fazer a viagem até Madri, em conseguir emprestada uma bela carroça fúnebre da Catedral de Sevilha para ir melhor acomodado ao encontro do rei. Ainda bem que o mau tempo o poupou do ridículo, evitando que a populaça visse o almirante cansado rumar para a audiência num carro dos mortos. Então montou a mula. Colombo faleceu em Valladolid em 20 de maio de 1506, mas a grande epopéia dele teve seguimento com seus restos mortais. Em 1541, os ossos dele e do seu filho Diego, morto em 1526, herdeiro dos títulos e comendas, foram transladados para o Novo Mundo pela nora de do Almirante, dona Maria de Toledo y Pillar, para serem inumados na Catedral de São Domingo. Lá ficaram até 1795, quando a ilha, pelo Tratado de Basiléia, foi entregue à França revolucionária. O duque de Verágua, descendente dos Colombo, decidiu então, apoiado por uma comissão, retirar o esquife do Descobridor e removê-lo para Havana, Cuba, onde ficou por um século.
A deambulação dos ossos do Almirante
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Colombo recebe a extrema-unção, Valladolid, 20 de maio de 1506
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Quando deu-se a guerra hispano-americana de 1898, e a conseqüente conquista de Cuba pelo exercito dos Estados Unidos, seus restos fizeram então a viagem de volta à Espanha, onde foram recebidos com toda a pompa merecida. Desde então repousaram num impressionante monumento erguido na Catedral de Sevilha.Os restos do Grande Almirante, quatro séculos depois, voltavam assim ao seu ponto de partida. Ocorre que, pelo menos desde 1877, desconfiou-se da autenticidade da urna de Sevilha. Naquela data encontraram na Catedral de São Domingo um outro caixão de chumbo, (medindo 42 por 21 centímetros), com ossos, pó e uma bala, e que trazia inscrito na parte externa: "Ilustre Varón Don Cristóbal Colón, Primer Almirante de América". A conclusão lógica a que muitos chegaram foi de que o translado, o de 1795, provavelmente feito às pressas, terminou por retirar do plebistério o caixão de Dom Diego, o Segundo Almirante, e não o do seu pai, enterrado mais ao fundo. Dessa forma, as autoridades de São Domingo não se sentiram constrangidas em preparar um lugar adequado para o caixão ilustre colocando-o num farol no qual abrigaram-no junto a um mausoléu. Para finalmente elucidar o mistérios das urnas dos Colombo (a do Almirante e de seus dois filhos, Diego e Fernando), a Universidade de Granada encarregou-se de, em junho de 2003, fazer a exumação delas da Catedral de Sevilha. Graças aos modernos recursos do DNA, o Laboratório de Identificação Genética da Universidade poderá proceder um acurado e definitivo exame dos restos de cada uma delas para obter-se uma identificação precisa e resolver a contenda entre São Domingo e Sevilha que disputam a primazia de ter inumado os verdadeiros ossos do Descobridor. As viagens de Colombo De 2 de agosto de 1492 a 15 de maio de 1493 Porto de partida e tripulação: Palos, com 3 navios e 90 homens Destino: Ilhas Antilhas e a Espanhola (São Domingo) De 25 de setembro de 1493 a 11 de junho 1496 Porto de partida e tripulação: Cádiz, com 17 navios e 1.200 homens Destino: Espanhola, a costa do sul de Cuba e a Jamaica De 30 de maio de 1948 a 10 de outubro de 1500 Porto de partida e tripulação: Barrameda, 8 navios e 226 homens Destino: Trinidad e a costa de Paria, considerada o entorno do Paraíso Terrestre De 11 de maior de 1502 a 7 de novembro de 1504 Porto de partida e tripulação: Cádiz, 4 navios e 150 homens Destino: São Domingo, costa de Honduras e do Panamá. Encalhe na Jamaica
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