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Apresentando-se ao Xogum
Com sede no Castelo de Edo (Tóquio), o xogum, segundo a prática do sankin-kotai, exigia que cada daimyo deixasse, em anos alternativos, alguém da sua família como refém no palácio, para assim dar garantias de fidelidade; ou que habitasse uma casa adrede, construída na capital, nas cercanias do xogum, pelo menos por seis meses.Os 250 hans (domínios), espalhados pelas ilhas, eram diretamente administrados pelos senhores feudais seguidores de confiança da dinastia Tokugawa, subdivididos entre os Senhores Internos (gente dos Tokugawa) e os Senhores Externos (que antes lhe fizeram oposição). Por ocasião das cerimônias das Cinco Estações, presentes em frente ao bakufu Tokugawa, os governadores dos domínios de Okayama, Fukuoka, Kurume, Tottori, Satsuma, Izumo e Sendai, controlados por integrantes da dinastia governante, se apresentavam, Vinham acompanhados por enorme séqüito que os acompanhava. Compunham uma procissão de samurais, guardas, lacaios e damas-de-companhia que, seguindo o senhor na liteira, marchavam até a capital por uma das cinco grandes estradas do país para cumprir com a obrigação do daimyo gyoretsu, prestando seus respeitos ao xogum na honmaru, a sala de audiências do palácio. Enquanto o daimyo submetia-se ao ritual, a entourage que o seguia ficava do lado de fora dos muros, numa enorme esplanada aberta ao público. Várias dessas apresentações, nas quais o vassalo cumpre o ritual de fidelidade e obediência ao seu senhor, foram testemunhadas por um artista chamado Kyosai Kiyomitsu, que deixou retratos datados de julho de 1847.
O Banimento do Cristianismo
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O senhor feudal e o seu séqüito
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Como determinação importante do processo de unificação, que levou ao aprofundamento e radicalização da estratégia do sakoku, do total isolamento do Japão, o Xogunato voltou-se contra a presença do cristianismo e de mercadores europeus nos bairros dos portos do país.Desde o desembarque de S.Francisco Xavier, em 1545, a crença do Nazareno lá se fizera presente. Muitos daimyos, especialmente os dos arredores do porto de Nagasaki, haviam-se convertido ao cristianismo esperando tirar vantagens comerciais com os portugueses e outros ocidentais, quando esses começaram a colocar os pés na terra do Sol Nascente, trazendo de longe seus artigos. Paradoxalmente, a palavra de Cristo ancorou no Japão trazida junto às caixas de armas de fogo vendidas pelos comerciantes portugueses. A decisiva batalha de Sekigahara, que pôs fim guerra dos clãs, já citada, fora vencida exatamente porque Tokugawa adquirira toda uma carga de mosquetes, as primeiras armas de fogo de precisão introduzidas lá. O que explica, de certo modo, que a reunificação nacional tornou-se possível exatamente porque seu principal capitão-de-guerra dispunha de uma boa quantidade de equipamento bélico bem superior ao dos demais senhores feudais, habilitando-o a ser o xogum. Na perseguição desencadeada aos cristãos, a partir de 1612, não havia propriamente uma restrição de ordem teológica, mas sim de segurança nacional. O projeto de unidade e de estabilidade buscava zelar pela paz interna e pela uniformização religiosa (para tanto, ainda que condescendente com o budismo e o confucionismo, o xogum estimulou o Xintoísmo, adotando-o como religião nacional) e, como muitos missionários e padres haviam-se envolvido nas guerras feudais do período anterior, pairava um natural temor das autoridades de que novas rebeldias poderiam contar com o apoio deles. Atrás do pregador cristão, é bom lembrar, sempre vinham os navios ocidentais com seus canhões. O derradeiro ato de resistência dos cristãos nipônicos, desde que haviam rejeitado o édito de banimento promulgado por Hideyoshi, em 1587, deu-se pela rebelião de Shimabara, de 1638, quando a derrota deles significou a supressão final do cristianismo das ilhas japonesas, dando por fim o que os historiadores europeus denominaram O Século Cristão da história do Japão, apesar da doutrina recém chegada jamais ter convertido mais do que 2% da população. Como arremate da sakoku, foram suspensas as autorizações dadas aos nambanjin (os “bárbaros do sul”): os portugueses perdem sua licença, em 1636, e os holandeses, em 1641. A partir de então, o Japão manteve-se, pelos dois séculos seguintes, em total isolamento das coisas do mundo: um planeta girando em órbita própria. A xenofobia então se alastrou. Qualquer estrangeiro que naufragasse perto do litoral era colocado num campo especial do qual jamais poderia sair. Até o milenar comércio com a China foi reduzido ao mínimo, permitindo-se, com os estrangeiros, apenas uma relação a conta-gotas na ilha artificial na baía de Nagazaki e em Hirade.
O Período Edo, Unidade e Estabilidade
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Oda Nobunaga, um dos reunificadores
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Muito contribuiu para o sucesso da rápida industrialização do país e sua modernização acelerada, o fato de que os dois séculos e meio anteriores à Restauração Meiji - o Período Edo (1600-1868) - ter-se caracterizado por legar uma política de unidade e estabilidade mantida pela longa Pax Tokugawa, que proporcionou a expansão da agricultura e a difusão do transporte, o que muito colaborou para a formação de um mercado nacional unificado. Com isso, projetou-se uma nova classe social enriquecida, uma burguesia que nascia dos poros do feudalismo graças ao aumento do comércio e das finanças, associada ao artesanato e à produção industrial de alimentos em geral, promoção industrial esta que contou com forte apoio dos governos locais e da autoridade central. E, devido à relativa tranqüilidade que o país conheceu naquele período, o nível médio da educação da população tornou-se elevado, muito superior a qualquer outro da Ásia daqueles tempos. Parte disso, da ampliação e difusão do ensino, deveu-se à reciclagem ocorrida com a casta dos samurais, pois cessando os conflitos entre os clãs, devido à campanha de pacificação imposta pelo Xogunato, os antigos guerreiros viram-se forçados a procurar outras funções, nas quais tentaram preservar as tradições, especialmente o Código Bushidô , com sua ênfase na retidão, justiça, coragem, benevolência, polidez, sinceridade, honra, lealdade e autocontrole. Para melhor entender o espírito de um samurai, nada melhor do que reproduzir um trecho dos Conselhos ao Samurai: "O Destino está no Céu, a armadura frente ao peito, o sucesso deve-se à agilidade das pernas. Vá para a batalha confinado na vitória. Entre em combate determinado a morrer e você sairá vivo dele. Se você sai de casa determinado a não voltar a vê-la, você retornará a salvo; se você tiver um só pensamento de que irá retornar certamente você não voltará. Você não esta errado ao pensar que o mundo esta sempre sujeito á mudança, mas o guerreiro não deve distrair-se com tal tipo de pensamento, pois para ele o destino já está determinado" (de Uesugi Kenshin, 1530-1578).
Dedicaram-se, então, à educação e instrução dos estudantes, tarefa que ficou ao seu encargo. "Agora nós desaparecemos", deixou então registrado o samurai Hôjô Ujimasa (1538-1590). "Bem, o que se pode pensar disto? Do céu nós viemos. Agora precisamos retornar".A obsessão nacional pela hierarquia, disciplina e o culto às virtudes militares daí decorrentes, que modelou os jovens japoneses ao longo dos séculos, foi a conseqüência lógica do fato de os cavaleiros da espada terem se assumido como mestres-de-ensino ou em escritores e poetas, que naturalmente celebravam aqueles valores, bem como os feitos notáveis dos espadachins do passado. Trocaram a arena pela lousa do quadro negro, mas a psicologia permaneceu a mesma. Outros não tiveram tal sorte. Muitos samurais desempregados pela desativação da guerra mergulharam no desemprego e na pobreza. Tornaram-se ronin, isso é, "sem senhor", vagando pelos castelos e feudos, humilhados e satirizados, atrás de uma colocação ou servindo como guarda-costas, mercenários e, até mesmo, como bandidos. O nome de muitos deles virou uma legenda negra, indigna de pertencerem à casta dos guerreiros honrados. Todavia, 47 deles alcançaram a celebridade ao vingarem, na noite de 14 de dezembro de 1702, a morte do ex-senhor deles (um tal de Asano, obrigado a se suicidar), atacando a fortaleza de um seu inimigo e matando- o. O xogum determinou que todos eles, por infringirem o ordenamento da paz, praticassem o seppuku, o ritual do suicídio. Até hoje, a tumba dos 47 é atração em Sengakuji.
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