Educação História por Voltaire Schilling Mundo
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Mundo
MUNDO

Volta ao Mundo

Leia mais
» Japão, da espada à indústria
» A Era dos Estados em Guerra
» Apresentando-se ao Xogum
» O Nascimento do Teatro e Demais Artes
» A rebelião Satsuma
» Volta ao Mundo
» Expansão, guerra e catástrofe
 
Entre 1871 e 1873, o governo Meiji despachou para o exterior a Missão Iwakura (liderada pelo Ministro da Justiça Iwakura Tomomi), com a tarefa específica de sondar o que podia ser mais útil ao propósito nacional. Foram aos Estados Unidos e depois à Europa, atrás do que melhor encontrassem.

Procedera-a uma outra viagem, essa feita por Fukuzawa Yukichi, um intelectual entusiasta do movimento Civilização e Ilustração, que pertencia ao grupo Meirokusha e que cumprira um sensacional tour pelo Ocidente.

Relatou-o em 1866, no seu livro Seyo-djo (As condições do Mundo Ocidental), no qual dá testemunho do seu deslumbramento pelas estradas-de-ferro, barcos à vapor, bancos, museus e instituições de ensino que ele visitara. Descrição essa que, tal como a de Marco Polo na Europa Medieval, tivera grande sucesso entre o público japonês, estimulando-o na aceitação da reforma modernizadora.

Depois de uma verdadeira volta ao mundo, os integrantes da Missão Iwakura concluíram que a doutrina militar que lhes pareceu boa foi a francesa, visto a fama do passado napoleônico; a educação técnica era a norte-americana; assim como a melhor tecnologia siderurgia veio-lhes da Suécia; sendo que selecionaram a língua alemã para a medicina moderna e para copiarem a legislação constitucional, a prussiana de Bismarck, para assim redigirem a Carta Imperial de 11 de fevereiro de 1889 (uma verdadeira obra de engenharia tentando conciliar o Tenno sei, o sistema monárquico autoritário com medidas e instituições liberais). Para acelerar isso tudo, mais de 500 técnicos e especialistas convidados chegaram desde então ao Japão, e até 1890 eles eram 3 mil.

Paralelamente a isso, como se viu, simplesmente desmontaram “de cima para baixo” a estrutura feudal em que o país vivia há séculos.

Zaibatsu, o grande oligopólio econômico

A Missão Iwakura (1871)
Do mesmo modo como se deu em alguns países da Europa e Estados Unidos, a expansão industrial do Japão, que tomou vulto desde 1870, foi acompanhada de enorme concentração econômica em torno de empreendimentos tidos como estratégicos.

Entretanto, ao contrário dos choques ocorridos entre o governo e os trustes que se deram nos Estados Unidos, especialmente entre os anos de 1880 e 1920, houve uma integração harmônica entre o governo imperial e os zaibatsu (cliques financeiras). Era eles quem controlavam a exploração mineral, os bancos, a indústria bélica e naval, os têxteis, comércio exterior e tudo o mais que era importante.

A decadência dos daimyos foi acompanhada pela ascensão dos zaibatsu: o cavaleiro da espada deu seu lugar ao cavaleiro da indústria. Do mesmo modo que o daimyo não se arriscava a desafiar o xogun, o zaibatsu procurava sempre obedecer ao imperador e seguir a estratégia geral determinada.

Ressalte-se que os zaibatsu, quase todos formados a partir da segunda metade do século XIX, tinham um enraizamento e difusão nos empreendimentos econômicos nacionais, particularmente sobre os setores mais modernos, muito além dos trustes norte-americanos ou dos konzern, os cartéis alemães da época do II° Reich de Bismarck.

Era comum um conglomerado controlar simultaneamente um banco, estaleiros navais, um setor industrial, significativas áreas mercantis e ainda deitar interesses sobre o comércio de importação e exportação, tornando-se assim um precursor das multinacionais que proliferaram mais tarde em muitos lugares do mundo. Do mesmo modo que um daimyo tinha uma infinidade de outros subalternos, samurais e funcionários a seu serviço, o zaibatsu, por igual, controlava incontáveis negócios menores que lhe eram ligados e dependentes.

Ao tempo em que exerciam uma hegemonia quase que total sobre a economia nacional, situação desconhecida no Ocidente, destaca-se o fato de que o comportamento das principais famílias controladoras das ações tinha uma atitude completamente diversa dos seus equivalentes no Ocidente. Elas desconheciam o tão apreciado e perdulário consumo conspícuo, o gasto de ostentação, apontado por Thorstein Vebler como característica marcante dos magnatas e milionários da costa Leste norte-americana e dos ricos em geral.

Ao contrário, educadas na probidade budista ou confucionista, na ética da contenção do desejo e no espírito da poupança, as famílias zaibatsus eram sóbrias, discretas, quase que espartanas em seus hábitos, não despendendo senão que o necessário à sua existência e posição na sociedade. A figura do ricaço estabanado, esbanjador, pródigo mesmo, tipo do Grande Gatsby, personagem da novela homônima de Scott Fitzgerald, era praticamente ignorada no Japão.

Malefícios políticos do zaibatsu

Seria o zaibatsu um dragão moderno?
Tal excessiva concentração de capital nas mãos de um punhado de clãs econômicos mostrou-se um forte impedimento para que o Japão conseguisse fazer a transição para uma democracia de massas, como estava ocorrendo em boa parte do mundo desenvolvido, entre 1880 e 1914, contribuiu para que fosse mantida uma sociedade fortemente hierarquizada e autoritária.

Por outro lado, tal acúmulo revelou-se extremamente eficaz na decisão de industrializar e modernizar rapidamente o país. Entretanto, tão grave foi este problema da hiper-concentração que os partidos que compunham a Teikoku Gikai, a Dieta Imperial, organizavam-se de acordo com a fidelidade que mantinham para com um ou outro zaibatsus e não para com seus eleitores.

Ainda que os zaibatsu competissem entre si, como foi o caso mais evidente da rivalidade entre a Mitsui e a Mitsubishi, isso não impediu que a concentração de recursos desse mais agilidade aos investimentos de longo prazo.

Seja como for, quando se deu a ocupação norte-americana do Japão, a partir de 1945, os novos senhores trataram de desmontar os zaibatsus por verem neles a expressão econômica de uma sociedade não-democrática (ou que pudessem mais tarde, com o Japão recuperado, vir a competir com as empresas norte-americanas).

Mitsui - Fundado por Hachirobei Takatoshi em 1673 - Inicialmente dedicado ao comércio do vestuário para, em seguida, dedicar-se ao setor financeiro. Desde 1876, o Banco Mitsui tornou-se o maior do Japão.

Mitsubishi - Fundado Iwasaki Yataro em 1869 - Empresa incialmente dedicada às finanças e comércio de navegação e cabotagem. Importação de armas e transporte militar.

Yasuda - Fundado por Yasuda Zenjiro em 1867 - Complexo financeiro-industrial, negócios com ouro e prata e também serviços bancários.

Sumimoto - Fundado por Sumimoto Masatoma em 1590 - Atua no setor de mineração, fundições e refinarias de cobre desde 1590.

Além desses quatro, destacam-se ainda os zaibatsus de Okura (fabricação de Armas), Furukawa (minas de cobre), Kuhara (minas de prata), Suzuki (óleo, siderurgia e refino), Fujita (alimentação e engenharia civil), Asano (abastecimento de carvão, gás, e cimento).

página anterior      próxima página
Veja todos os artigos | Voltar